Vitiligo é genético? 7 mitos e verdades sobre a doença

Publicado em 17/03/2026, às 13h00
- O vitiligo ocorre quando há redução ou destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina (Imagem: GaudiLab | Shutterstock)

Redação EdiCase

Caracterizado pelo surgimento de manchas brancas na pele, o vitiligo é uma doença dermatológica que ainda desperta muitas dúvidas. Estimativas indicam que a condição afeta entre 0,5% e 2% da população mundial. No Brasil, cerca de 0,5% da população convive com a doença, o que representa aproximadamente 1 milhão de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

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O vitiligo ocorre quando há redução ou destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina — pigmento que dá cor à pele. Como consequência, surgem áreas despigmentadas que podem aparecer em diferentes regiões do corpo.

Ciência revela origem multifatorial do vitiligo

Estudos científicos indicam que o vitiligo possui origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Pesquisas publicadas na revista científica Nature Genetics identificaram dezenas de variantes genéticas associadas à doença, muitas delas relacionadas ao funcionamento do sistema imunológico e à regulação dos melanócitos.

O estudo “Genome-wide association studies of autoimmune vitiligo identify 23 new risk loci and highlight key pathways and regulatory variants“, analisou 4.680 casos e 39.586 controles e identificou 23 novos loci genéticos associados ao vitiligo. “Acredita-se que o vitiligo esteja associado a um processo autoimune, no qual o próprio sistema imunológico passa a atacar os melanócitos. Esse mecanismo explica por que a doença pode surgir mesmo sem histórico familiar aparente”, explica a dermatologista Dra. Luísa Juliatto, do Alta Diagnósticos.

A genética pode aumentar a predisposição ao desenvolvimento da doença, mas não é o único fator envolvido. “A genética pode contribuir para a predisposição ao vitiligo, mas não determina sozinha o surgimento da condição. Fatores ambientais, imunológicos e até emocionais também podem influenciar”, afirma Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa.

Informação e conscientização são fundamentais para reduzir o impacto social do vitiligo (Imagem: Irina Zharkova31 | Shutterstock)

Mitos e verdades sobre o vitiligo

Embora o vitiligo não cause danos diretos à saúde física, ele pode aumentar a sensibilidade ao sol nas áreas afetadas e impactar a autoestima de quem convive com a condição. Além disso, mesmo sendo relativamente comum, a doença ainda é cercada por desinformação. Confira alguns mitos e verdades.

1. O vitiligo é contagioso

Mito. A doença não é transmissível por contato físico, convivência ou compartilhamento de objetos.

2. O vitiligo é câncer

Mito. As duas condições são completamente diferentes e possuem causas e tratamentos distintos.

3. Quem tem vitiligo precisa redobrar cuidados com o sol

Verdade. A ausência de melanina deixa a pele mais sensível à radiação solar, tornando o uso de protetor solar essencial.

4. Existe predisposição genética para vitiligo

Verdade. Dados disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) indicam que cerca de 30% dos pacientes apresentam histórico familiar da doença.

5. O vitiligo é sempre hereditário

Mito. Ter predisposição genética não significa que a doença será obrigatoriamente transmitida entre gerações.

6. O vitiligo só aparece na vida adulta

Mito. A doença pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive na infância.

7. Existem tratamentos para vitiligo

Verdade. O acompanhamento com dermatologista é fundamental para avaliar as opções de tratamento mais adequadas para cada caso.

Além do acompanhamento médico, especialistas ressaltam a importância de combater a desinformação sobre a doença. “O vitiligo não deve ser associado a preconceitos ou estigmas. Informação e conscientização são fundamentais para reduzir o impacto social da condição”, conclui a dermatologista.

Por Mariana Bego

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