Vorcaro disse ter tido reunião na residência oficial do Senado

Publicado em 05/03/2026, às 17h08
PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - Reprodução

Isadora Albernaz, Augusto Tenório, Carolina Linhares, Mateus Vargas e Raphael Di Cunto / Folhapress

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse em mensagens que teve uma reunião na residência oficial do Senado em 3 de agosto de 2025. Sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), o ex-banqueiro afirmou que o encontro "foi até meia-noite".

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O relato foi feito por Vorcaro em conversa com a namorada dele, a influenciadora Martha Graeff. Os diálogos estão em documentos obtidos pela reportagem que foram enviados pela Polícia Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Nas mensagens, trocadas entre 7h30 e 7h50, Martha questionou o dono do Master sobre como havia sido a reunião. O ex-banqueiro respondeu: "Foi bom". "Terça teremos outra", completou.

Na sequência, a influenciadora perguntou se Vorcaro tinha feito "aquilo", de "aparecer sem ele saber". Não fica claro sobre quem a mulher se refere, mas o dono do Master confirmou e respondeu: "Sim kkk".

"WOW", escreveu Martha Graeff. "Foi na residencia oficial do Senado", completou Daniel Vorcaro.

Procurada, a assessoria de imprensa da Alcolumbre não respondeu até a publicação desta reportagem.

Leia abaixo o diálogo:

- Daniel Vorcaro: Bom dia amor
- Martha Graeff: Amoooooooor
- Martha Graeff: Como Foi ontem????!
- Martha Graeff: Morrendo aqui
- Daniel Vorcaro: Oi vida
- Daniel Vorcaro: Foi bom
- Daniel Vorcaro: Foi ate meia noite
- Daniel Vorcaro: Terça teremos outra
- Martha Graeff: Ai amor do céu
- Martha Graeff: Que aflição
- Martha Graeff: Você fez aquilo!
- Martha Graeff: ?
- Daniel Vorcaro: O que?
- Martha Graeff: De aparecer
- Martha Graeff: Sem ele saber
- Daniel Vorcaro: Sim kkk
- Martha Graeff: WOW
- Daniel Vorcaro: Foi na residencia oficial do senado

À frente do Senado, Davi Alcolumbre já indicou que não irá abrir uma CPI para investigar o caso Master, como quer parte dos senadores. Segundo apurou a Folha de S. Paulo, parlamentares afirmam que ele não vai mexer no vespeiro em ano eleitoral.

A avaliação é que o desgaste pode se multiplicar de forma incontrolável, comprometendo diversos partidos.

EX-BANQUEIRO TAMBÉM RELATOU ENCONTROS COM MOTTA

Em 2 de agosto, um dia antes da reunião na residência oficial do Senado, o dono do Master afirmou à namorada que estava pousando em Brasília, por volta das 18h20, e que havia se encontrado no aeroporto com "Hugo", em uma possível referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

"Encontrei c hugo no aero, sera mais tarde um pouco o encontro. Vou esperar em casa", disse.

"Me manda uma mensagem depois da reunião, mesmo eu estando dormindo", respondeu Martha às 20h.

A Folha de S. Paulo entrou em contato com a assessoria de Hugo Motta para pedir uma manifestação a respeito da possível menção e questionar se o deputado participou do encontro na residência oficial do Senado, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Além desse relato, em outras mensagens com a namorada, Daniel Vorcaro afirmou que jantou com o presidente da Câmara em fevereiro de 2025, após o parlamentar ter sido eleito para a chefia da Casa.

"Tô aqui em Brasília trabalhando amor [sic]", afirmou o ex-banqueiro à companheira por volta das 19h30. A influenciadora tentou ligar para ele às 20h30, sem resposta. Ele declarou: "Tô num jantar na residência oficial com Hugo e seis empresários".

Em março do ano passado, Vorcaro fez à namorada outra menção a um encontro com Motta, e também a "Ciro", em provável referência ao senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, a quem chamou de "grande amigo" em outra conversa.

O banqueiro também cita que eles chegaram para falar com um homem chamado Alexandre na reunião.

Antes de ser preso, Vorcaro cultivou diversas conexões com figuras importantes. Além disso, o banco contratou o escritório de familiares do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes no valor de R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição.

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