Zuckerberg quebra o silêncio sobre escândalo de privacidade do Facebook

Publicado em 21/03/2018, às 19h33

Redação


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Desde o último fim de semana, o Facebook está no centro de um escândalo de proporções inéditas. Uma empresa de marketing chamada Cambridge Analytica teve acesso indevido a dados de 50 milhões de usuários da rede social. O Facebook se pronunciou por meio de comunicados, mas seu líder, o CEO e fundador da empresa, Mark Zuckerberg, permaneceu em silêncio... até agora.

Em uma longa postagem no próprio Facebook, Zuckerberg comentou a polêmica e admitiu. "Nós cometemos erros, há mais o que podemos fazer e precisamos nos aprontar para fazê-lo", escreveu o executivo. "Nós temos a responsabilidade de proteger os seus dados, e se não pudermos, então não merecemos te servir."

Zuckerberg então narra a linha do tempo dos fatos sob o seu ponto de vista. Ele começa falando a respeito da "Plataforma", um mecanismo criado para o Facebook em 2007 que permite que apps de terceiros tenham acesso aos dados do usuário e, em alguns casos, façam posts em seu nome, desde que com o devido consentimento.

Foi justamente essa plataforma que a Cambridge Analytica utilizou para roubar dados de 50 milhões de pessoas. Por meio de um app de teste de personalidade criado por um professor de psicologia chamado Aleksandr Kogan, a empresa teve acesso aos dados que, para o Facebook, estavam sendo coletados com objetivo acadêmico, mas que, na prática, estavam sendo usados em campanhas de marketing de políticos.

Em 2015, o Facebook descobriu o esquema por meio de uma reportagem do jornal britânico The Guardian. A rede social pediu que a Cambridge Analytica apagasse os dados coletados indevidamente. Mas o que se descobriu no começo desta semana é que os dados nunca foram apagados e que o Facebook sequer cobrou a empresa para saber se eles haviam sido mesmo apagados ou não.

Zuckerberg admite que foi isso o que aconteceu. "O que houve foi uma quebra de confiança entre Kogan, Cambridge Analytica e o Facebook. Mas também foi uma quebra de confiança entre o Facebook e as pessoas que compartilham dados conosco e esperam que nós os protejamos. Nós precisamos consertar isso", afirmou o executivo.

Em seguida, Zuckerberg diz o que o Facebook pretende fazer a partir de agora. Além de ter expulsado a Cambridge Analytica da sua plataforma e mudado os limites de acesso de apps a dados pessoais de usuários, a rede social ainda vai "investigar todos os aplicativos que tiveram acesso a grandes quantidades de informações antes de termos mudado nossa plataforma".

Além disso, Zuckerberg se compromete a "fazer uma auditoria completa de qualquer app com atividade suspeita"; "banir qualquer desenvolvedor da nossa plataforma que não concorde com uma auditoria completa"; e, se encontrar mais casos como o da Cambridge Analytica, o Facebook vai "baní-los e avisar a todas as pessoas que foram afetadas por esses apps".

Em segundo lugar, o CEO diz que vai limitar ainda mais o volume de dados a que esses apps de terceiros podem ter acesso. "Por exemplo, vamos remover o acesso dos desenvolvedores aos seus dados se você não usa o app deles há três meses", diz Zuckerberg. Ele afirma ainda que o Facebook vai exigir que os desenvolvedores assinem um contrato garantindo a proteção dos dados dos usuários.

O CEO diz ainda que vai limitar o número de informações a que esses apps de terceiros podem ter acesso. Agora, testes de personalidade como o que foi usado pela Cambridge Analytica só poderão acessar seu nome, foto de perfil e e-mail. Por fim, Zuckerberg promete colocar uma nova ferramenta no topo do feed de notícias para ajudar usuários a identificar apps ligados à sua conta e a apagar os que não quiser manter ativados.

"Eu comecei o Facebook, e, no fim das contas, eu sou responsável pelo que acontece na nossa plataforma", conclui o executivo. "Nós vamos aprender com esta experiência a garantir ainda mais a segurança da nossa plataforma e a fazer nossa comunidade mais segura para todos de agora em diante."


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