Em 2026, Alagoas e Rio Grande do Sul devem registrar o último ano de crescimento populacional antes de uma queda que se inicia em 2027, conforme projeções do IBGE, antecipando uma tendência que afetará outros estados posteriormente.
O envelhecimento da população e a migração interna são fatores que contribuem para essa diminuição, com o Rio Grande do Sul prevendo que 21,8% de seus habitantes terão 60 anos ou mais em 2026, enquanto Alagoas apresenta o menor crescimento populacional do país entre 2010 e 2022.
Os governos de ambos os estados estão tomando medidas para enfrentar os desafios demográficos, como a construção de um hospital do idoso em Alagoas e reformas previdenciárias no Rio Grande do Sul, visando mitigar os impactos sociais e econômicos da redução populacional e do envelhecimento.
Em 2026, dois estados brasileiros devem registrar o último ano de crescimento da população antes de uma sequência de queda no número de habitantes, segundo as projeções mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
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São os casos de Alagoas e Rio Grande do Sul. Nos dois locais, a população tende a cair a partir de 2027, indica o instituto.
Caso as estimativas se confirmem, alagoanos e gaúchos irão antecipar um movimento que deve ocorrer mais tarde nas outras unidades da Federação.
O IBGE espera que o número de habitantes do Brasil cresça até 2041, passando a cair em 2042, em um contexto de redução da natalidade e avanço do envelhecimento.
As projeções constam em uma revisão de cenário publicada em agosto de 2024. As estimativas levam em conta dados do Censo Demográfico 2022 e de outras fontes. O horizonte analisado vai de 2000 a 2070.
Em Alagoas, a população é estimada em 3,2 milhões em 2026. O IBGE prevê acréscimo de apenas 280 moradores em relação a 2025.
Com a queda aguardada a partir de 2027, o número de habitantes do estado tende a ficar abaixo de 2,7 milhões em 2070, último ano das estimativas. Caso o quadro se confirme, Alagoas terá uma baixa de 17% em relação ao pico de 2026 ou menos 548,3 mil pessoas.
No Rio Grande do Sul, a população é projetada em 11,2 milhões neste ano. O IBGE espera um leve acréscimo de 54 habitantes ante 2025, quase estabilidade.
Como o contingente deve encolher a partir de 2027, o estado tende a chegar a 2070 com 9,1 milhões de pessoas. A redução aguardada é de quase 19% ante o pico de 2026 ou 2,1 milhões a menos.
Como são projeções, os números podem se confirmar ou não com o passar dos anos.
No caso gaúcho, o gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do IBGE, Marcio Minamiguchi, diz que as estimativas ainda não captam eventuais reflexos das enchentes históricas de 2024.
Para incorporar possíveis mudanças no cenário e calibrar os números, o instituto faz revisões ao longo do tempo. A mais recente atualizou, em agosto de 2024, projeções publicadas em 2018.
O QUE EXPLICA OS NÚMEROS?
O fim do crescimento e o início da queda no Rio Grande do Sul estão associados em parte ao envelhecimento da população, segundo Minamiguchi.
Em 2026, espera-se que 21,8% dos moradores do estado tenham 60 anos ou mais. Trata-se da maior proporção de idosos do país. O percentual estimado no Brasil é de 17,1%.
"Em um estado mais velho, a população vai ter, em média, mais óbitos", resume.
Os gaúchos ainda sentem o impacto de um histórico de migração para outras regiões do país. Isso apareceu no Censo.
Conforme a pesquisa, o Rio Grande do Sul perdeu 77,8 mil moradores em processos migratórios dentro do Brasil no período de 31 de julho de 2017 a 1º de agosto de 2022. O saldo negativo é a diferença entre a entrada de 134,7 mil e a saída de 212,5 mil.
A migração também é um dos motivos que explicam as projeções de Alagoas. O estado nordestino perdeu 42,6 mil habitantes em processos do tipo no período investigado pelo último Censo. O número refletiu a entrada de 74,8 mil e a saída de 117,4 mil.
"A migração tira pessoas em idade reprodutiva da população", diz Minamiguchi. Segundo o pesquisador, o fato de Alagoas ter uma das menores áreas territoriais do país pode facilitar o fluxo de saída.
O técnico ainda chama atenção para outro resultado do Censo. Conforme a pesquisa, Alagoas teve o menor crescimento populacional do país no período de 2010 a 2022. A alta foi de apenas 0,2%.
O estado nordestino não escapa do processo de envelhecimento ocorrido no Brasil. Em 2000, 7,2% da população de Alagoas tinha 60 anos ou mais, proporção que deve alcançar 14,6% em 2026 e 38,6% em 2070.
O QUE DIZEM AL E RS?
O processo de envelhecimento impõe desafios sociais, econômicos e fiscais, sobretudo na previdência, que depende de uma base contributiva suficiente para assegurar o pagamento das aposentadorias a gerações idosas, diz em nota Juliana Carla da Silva Santos, superintendente de informações e cenários da Secretaria do Planejamento, Gestão e Patrimônio de Alagoas.
"As mudanças demográficas têm um impacto significativo nas prioridades de políticas públicas em Alagoas, assim como em outros estados. Estamos atentos e nos preparando para lidar com essa realidade."
Entre as ações do governo estadual, Juliana cita o projeto de construção de um hospital do idoso, bem como a ampliação de centros de cuidado voltados a esse público.
"Tais investimentos visam ampliar a oferta de serviços especializados e promover maior proteção social à população que mais demanda cuidados contínuos."
Já a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul afirma que as projeções de declínio populacional e envelhecimento são consequência, principalmente, da redução da fecundidade.
"Dentre os principais desafios, está a pressão sobre as despesas obrigatórias, como os gastos com a previdência, a saúde e a dívida pública", diz em nota.
"Por isso, a responsabilidade fiscal é essencial. Nesse sentido, em 2020, o RS realizou a mais profunda reforma previdenciária e administrativa do Brasil, incluindo civis e militares, o que reduziu o déficit previdenciário que era de 30,4% da Receita Corrente Líquida em 2019 para 16,3% em 2024", acrescenta.
Por outro lado, na visão do governo gaúcho, a transição demográfica também pode gerar benefícios. Um exemplo citado é a possibilidade de planejamento urbano "mais equilibrado", com menor pressão do crescimento populacional.
"Além disso, a diminuição da população entre 15 e 29 anos tende a contribuir para a redução dos índices de criminalidade, já que homens nessa faixa etária concentram a maior participação em ocorrências", aponta a secretaria.
QUAL É O CENÁRIO NO BRASIL E EM OUTRAS UFS?
Segundo o IBGE, o número de habitantes do Brasil deve crescer até o pico de 220,4 milhões em 2041 e, depois, tende a encolher.
O órgão espera que a redução comece em 2042 e se intensifique nas décadas seguintes, levando o contingente nacional para menos de 200 milhões em 2070 (199,2 milhões).
Após Alagoas e Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro deve alcançar um pico populacional em 2027 (17,2 milhões), passando a cair a partir de 2028.
Em São Paulo, o primeiro ano de redução é aguardado para a década seguinte, em 2037.
Pelas previsões do IBGE, Mato Grosso tende a ser o último estado a mostrar recuo, somente após 2070. Santa Catarina e Roraima também devem vivenciar isso mais tarde, a partir de 2064.
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