Médica-veterinária destaca os riscos da alimentação inadequada para a saúde dos animais
O cuidado com a alimentação é essencial para garantir a saúde e o bem-estar dos animais de estimação. No entanto, a oferta frequente de petiscos em excesso, sobras de refeições humanas ou alimentos inadequados pode trazer prejuízos à saúde dos pets. Esses hábitos podem favorecer o ganho de peso, provocar problemas digestivos e até desencadear doenças ao longo do tempo, comprometendo a qualidade e a longevidade de vida dos animais.
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Um levantamento da fabricante de rações Royal Canin, realizado com mais de 14 mil tutores e 1.750 profissionais veterinários no Brasil, Reino Unido e México, revela que muitos responsáveis ainda têm dificuldade para identificar o que realmente caracteriza um peso saudável para seus animais.
Essa falta de informação se reflete diretamente na saúde dos bichos. O estudo “Pet Obesity: Health Impacts and Innovations in Weight Management”, publicado na revista Frontiers in Veterinary Science, aponta que cerca de 60% dos cães e gatos em todo o mundo sofrem com obesidade.
A médica-veterinária e professora da Afya Montes Claros, Poliana Rocha Fraga Botelho, explica que a obesidade pode causar diversos problemas de saúde aos animais, como diabetes, problemas articulares, doenças cardíacas, dificuldade respiratória e até a redução da expectativa de vida. Por isso, o controle da alimentação e do peso é fundamental para manter o pet saudável.
“Atualmente, a obesidade em cães e gatos é bastante comum, principalmente devido a alguns fatores do dia a dia. Entre os principais, estão o excesso de petiscos, a oferta de comida além da quantidade recomendada, dietas muito calóricas e a falta de atividade física”, alerta.
Além disso, a falta de espaço e de estímulos para atividades físicas pode contribuir para um estilo de vida mais sedentário, favorecendo o ganho de peso e outros problemas de saúde. “Muitos pets vivem em ambientes mais restritos, como casas ou apartamentos, e acabam se exercitando pouco. Além disso, é muito frequente que os tutores associem a alimentação a uma forma de carinho, oferecendo comida várias vezes ao longo do dia”, acrescenta.

A alimentação natural pode ser uma alternativa interessante para ajudar a manter a saúde e o peso adequado dos animais de estimação. No entanto, a adoção desse tipo de dieta exige acompanhamento veterinário ou orientação de um especialista em nutrição animal. Sem esse cuidado, existe o risco de ocorrerem desequilíbrios nutricionais. A falta de nutrientes essenciais ou o excesso de vitaminas e minerais pode provocar problemas metabólicos e até causar danos irreversíveis à saúde do pet.
“Oferecer uma dieta adequada, na quantidade correta, e evitar excessos faz toda a diferença na qualidade e na expectativa de vida. Também é importante lembrar que cada animal tem necessidades específicas, por isso o ideal é contar sempre com acompanhamento veterinário para orientar a melhor alimentação em cada caso”, explica Poliana Rocha Fraga Botelho.
Cuidados simples ajudam a prevenir diversas doenças, contribuem para o bom funcionamento do organismo e permitem identificar possíveis problemas de forma precoce. “Cuidar da alimentação, manter o peso adequado, estimular a atividade física e realizar check-ups regulares são atitudes simples que contribuem muito para garantir uma vida mais longa e saudável dos nossos pets“, complementa a médica-veterinária.
Além da quantidade e do equilíbrio nutricional, é preciso ter atenção aos alimentos oferecidos aos animais. Poliana Rocha Fraga Botelho cita alguns itens comuns na alimentação humana que podem ser tóxicos para cães e gatos:
“Por isso, o mais seguro é não oferecer alimentos de consumo humano aos pets sem orientação veterinária. Em caso de ingestão acidental de qualquer um desses alimentos, procure um médico-veterinário imediatamente”, conclui a professora da Afya Montes Claros.
Por Matheus Garcia
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