5 dicas para melhorar a comunicação com o seu cão

Especialista em comportamento canino explica por que entender a linguagem do animal é a chave para uma convivência mais equilibrada

Publicado em 24/01/2026, às 06h00
Quando o tutor aprende a se comunicar com o cachorro, a relação entre eles se transforma (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)
Quando o tutor aprende a se comunicar com o cachorro, a relação entre eles se transforma (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Latidos excessivos, ansiedade, destruição de objetos e dificuldade em obedecer a comandos costumam ser interpretados como “desobediência”. Mas, na maioria das vezes, esses comportamentos são sinais claros de falha na comunicação entre tutor e pet. Diferentemente dos humanos, os cães não se comunicam por palavras, e sim por energia, gestos, rotina e emoção.

Segundo André Cavalieri, especialista em comportamento canino e sócio-fundador da Dog Corner (empresa especializada em creche, hotel, adestramento e banho), quando o tutor aprende a se comunicar na “língua do cão”, a relação se transforma. “Antes de ensinar comandos, é preciso alinhar intenção, emoção e ação. O cão lê o mundo pelo comportamento do tutor, não pelo que ele fala”, explica.

A seguir, o especialista lista dicas práticas para melhorar a comunicação entre tutor e pet no dia a dia. Confira!

1. A comunicação começa antes da palavra

Antes mesmo de qualquer comando verbal, a relação entre tutor e pet é construída a partir de sinais sutis do dia a dia. Emoções, atitudes e a forma como o tutor se posiciona influenciam diretamente a maneira como o animal percebe e reage às situações.

“Os cães não entendem discurso, mas entendem energia, postura e emoção. Um tutor ansioso tende a gerar um cão ansioso. Um tutor agressivo pode gerar um cão agressivo ou extremamente medroso. Tom de voz, gestos, postura corporal e até o estado emocional do tutor impactam diretamente o comportamento do animal. Antes de pedir qualquer comando, o tutor precisa observar como está se sentindo e o que está transmitindo”, comenta André Cavalieri.

2. Seja coerente: previsibilidade gera segurança

Para que o pet se sinta seguro, é essencial que o ambiente seja estável e compreensível. “Amar um cão não é permitir tudo, mas oferecer regras claras e consistentes. Se hoje subir no sofá é permitido e amanhã não é, o cão não está ‘testando limites’, ele apenas tenta entender um sistema que muda o tempo todo. Comunicação eficiente exige regras simples, repetição e constância. A previsibilidade reduz a ansiedade e melhora o comportamento”, diz. 

3. O silêncio também comunica

Nem toda mensagem precisa ser dita em palavras. Muitas vezes, pausas, gestos e atitudes calmas transmitem orientações mais eficazes do que comandos repetidos. “Falar demais gera ruído, não clareza. Muitos tutores repetem ‘não, não, não’ esperando que o cão entenda, mas o excesso de fala confunde. Um olhar firme, uma pausa consciente ou um redirecionamento corporal bem feito comunicam muito mais. Serenidade é uma das mensagens mais importantes que o tutor pode transmitir”, explica o especialista.

Homem passeando com um cachorro em um parque
Uma rotina organizada passa mais confiança e tranquilidade para o pet, que se torna mais receptivo às interações (Imagem: Dusan Petkovic | Shutterstock)

4. Rotina é uma forma de amor e comunicação emocional

A organização do dia a dia tem um papel fundamental no bem-estar do pet. Quando há regularidade, o animal passa a se sentir mais confiante, tranquilo e receptivo às interações. “Para o cão, rotina é linguagem emocional. Horários definidos para passeio, alimentação, descanso e interação ajudam o animal a entender que o mundo é previsível. Isso reduz ansiedade, frustração e comportamentos destrutivos. Um cão relaxado aprende melhor e tem mais qualidade de vida”, complementa André Cavalieri. 

5. Gasto de energia também é comunicação

O equilíbrio emocional do pet está diretamente ligado às oportunidades de movimento e estímulo. “Nenhuma comunicação funciona se o cão está com excesso de energia física ou mental acumulada. Passeio não é luxo, enriquecimento ambiental não é mimo e atividades estruturadas não são extras. São necessidades básicas. Um cão que não explora o mundo tende a ficar ansioso, estressado e até deprimido, o que bloqueia qualquer tentativa de aprendizado”, analisa o profissional.

Ouça mais, fale menos

Por fim, André Cavalieri reforça que o tutor precisa aprender a “ouvir” o cão. “Eles se comunicam o tempo todo por bocejos, desvios de olhar, postura corporal, respiração e velocidade dos movimentos. Ignorar esses sinais é como conversar com alguém que pede ajuda em outra língua e fingir que não está entendendo”, diz o especialista, que ressalta: “quando o tutor aprende a observar, respeitar e se comunicar de forma clara, o comportamento melhora naturalmente. Comunicação não é controle, é conexão”.

Por Maria Fernanda Benedet

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