No outono, o ar mais seco e a tendência de permanecermos em locais fechados facilitam a circulação de vírus
Com a mudança da estação e das temperaturas, é comum observarmos um aumento significativo nos casos de gripes e resfriados. No outono, o ar mais seco e a tendência de permanecermos em locais fechados facilitam a circulação de vírus.
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Segundo dados recentes do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em todos os estados brasileiros, exceto no Tocantins, cresceu o número de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas semanas, e o rinovírus lidera a positividade dos quadros, responsável por 40%, seguido por 20% de casos de influenza A.
Com o frio, surgem diversas crenças populares sobre o que realmente nos faz adoecer. Para ajudar a separar o que é ciência de mito, a infectologista Luísa Chebabo, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, esclarece as principais dúvidas que também circulam nesta época do ano. Confira!
Mito. Os causadores dos quadros respiratórios são os vírus, não o vento. Luísa Chebabo explica que, no entanto, o ar-condicionado retira a umidade do ar, ressecando as mucosas do nariz e da garganta, que funcionam como nossa primeira linha de defesa, e isso pode prejudicar esses mecanismos de proteção.
“Essas alterações facilitam a entrada de agentes infecciosos que já estavam presentes no ambiente ou em nossas mãos. Isso mesmo, o grande perigo está nas nossas mãos, que transportam esses vírus, e isso, sim, causa a infecção, não o uso dos equipamentos de ventilação. Além disso, ambientes fechados e com pouca circulação de ar podem favorecer a concentração de vírus, aumentando o risco de transmissão entre as pessoas”, comenta.
A médica afirma ainda que, se o filtro do ar-condicionado não estiver limpo, por exemplo, ele pode proliferar ácaros, fungos e juntar poeira, que agravam alergias e rinites. “Por isso, muitas pessoas confundem os sintomas e acham que ‘pegaram’ uma gripe ou resfriado, quando, na verdade, os alérgenos do local desencadearam uma reação.”
Mito. “Nada disso faz com que você contraia uma infecção respiratória. Mas o frio das roupas molhadas pode potencializar a ação de algum patógeno que já esteja em contato conosco”, afirma a infectologista. Ela detalha que o frio pode causar estresse no sistema imunológico: “Nas temperaturas mais baixas, ocorre a vasoconstrição, ou seja, os vasos sanguíneos das vias aéreas se contraem, e isso diminui o fluxo de sangue e, consequentemente, a chegada de glóbulos brancos, células de defesa do corpo, deixando o organismo mais vulnerável.”

Verdade. De acordo com Alberto Chebabo, infectologista do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, uma das principais armadilhas da sazonalidade é acreditar que a vacinação deve ocorrer apenas quando o termômetro baixa ou os casos respiratórios começam a aumentar.
“Tomar a vacina antes do período de maior circulação das doenças é a estratégia mais eficaz. A proteção precisa ser antecipada para que, quando o pico dos vírus chegar, o corpo já tenha anticorpos prontos, já que levamos cerca de 15 dias para processar a imunidade”, revela.
Mito. Embora a vitamina C seja essencial para o bom funcionamento do sistema imunológico, diversos estudos mostram que tomá-la em doses extras quando já se está doente ou como prevenção diária não impede que haja a contaminação pelo vírus. O ideal é manter uma dieta equilibrada a longo prazo.
Verdade. A hidratação é parte fundamental no tratamento da gripe porque mantém as mucosas das vias respiratórias úmidas e íntegras, facilitando a fluidez do muco e a expectoração. Além disso, beber muito líquido ajuda a repor as perdas causadas pela febre e pelo suor, combatendo a prostração e auxiliando o sistema imunológico a trabalhar com mais eficiência na eliminação do vírus.
Sobre a canja, Luísa Chebabo afirma que também ajuda. “Não é crença de vó. Ela melhora a hidratação, e o vapor quente do caldo ajuda na fluidez do muco nasal, facilitando a respiração. Além disso, a combinação de proteínas e vegetais oferece nutrientes importantes para a recuperação do corpo. Superválido como um ‘remédio’ caseiro”, aconselha a médica.
Mito. Segundo a médica, hoje, a estratégia de imunização vai muito além da dose anual da vacina contra a gripe (influenza). Para idosos, atualmente, há a vacina de alta dosagem (como a Efluelda), exclusiva para maiores de 60 anos, com quatro vezes mais antígenos, visando aumentar a resposta imunológica.
Mas a ciência oferece ainda outras proteções, como a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o maior vilão das internações por infecções respiratórias em crianças pequenas e que também pode causar quadros graves em idosos. Nesse caso, o imunizante Abrysvo é indicado para gestantes entre a 24ª e a 36ª semana, pois transfere anticorpos vitais para o feto através da placenta, e para idosos, para evitar casos de pneumonia grave. Já o Beyfortus (nirsevimabe) é um anticorpo monoclonal de ação imediata para recém-nascidos que os protege da bronquiolite causada pelo VSR.
Além desses exemplos, Luísa Chebabo cita ainda as vacinas contra a Covid-19, capazes de evitar a síndrome respiratória aguda grave pelo Sars-CoV-2, e a Pneumocócica, cuja proteção mais ampliada e moderna é a 20-valente, que imuniza contra 20 tipos de Streptococcus pneumoniae, os maiores causadores de pneumonia bacteriana.
Por Rachel Lopes
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