Abrem no ar: o que são bombas de fragmentação, que Israel acusa Irã de usar

Publicado em 07/03/2026, às 08h25
Tipo de bomba de fragmentação - Reprodução / Wikimedia Commons / aick, CC BY-SA 3.0
Tipo de bomba de fragmentação - Reprodução / Wikimedia Commons / aick, CC BY-SA 3.0

Por Folhapress

Israel acusa o Irã de utilizar bombas de fragmentação durante a guerra, caracterizando essa ação como um crime de guerra quando direcionada a civis. O uso dessas munições levanta preocupações sobre o impacto humanitário e a segurança da população.

Imagens e relatos do Exército israelense confirmam a presença de munições de fragmentação, com a polícia local encontrando evidências após ataques. A falta de regulamentação entre Irã e Israel em relação a essas armas, que são proibidas por um tratado internacional, agrava a situação.

A polícia de Israel emitiu um alerta sobre os riscos associados a essas bombas, destacando o perigo das submunições não detonadas. As autoridades continuam a monitorar a situação, enquanto as normas de censura militar limitam o acesso a áreas afetadas pelos ataques.

Resumo gerado por IA

Bombas de fragmentação (ou munições 'cluster') são armas que se abrem no ar e espalham várias submunições, e Israel afirma que esse tipo de armamento foi lançado pelo Irã durante a guerra entre os países.

O Exército de Israel diz que o Irã usou munições de fragmentação 'em múltiplas ocasiões' desde o início da guerra. A declaração foi feita pelo porta-voz militar Nadav Shoshani, que afirmou que o uso é crime de guerra quando essas armas são direcionadas contra civis.

Imagens registradas pela AFP mostraram, à noite, um 'enxame' de projéteis em chamas caindo sobre o centro de Israel. O Exército israelense afirmou que o vídeo mostrava bombas de fragmentação, avaliação que também foi compartilhada por um especialista militar que analisou as imagens.

A polícia israelense afirmou ter encontrado indícios de munições de fragmentação após a detecção de mísseis vindos do Irã. Por causa das normas de censura militar em vigor no país desde o início do conflito, áreas de impacto costumam ficar fechadas ao público - incluindo jornalistas - até a retirada de restos de mísseis e de artefatos não detonados.

Um aviso de utilidade pública divulgado pela polícia de Israel nesta sexta-feira alertou para os riscos das bombas de fragmentação. O comunicado incluiu explicações de um técnico em desativação de explosivos sobre os perigos desse tipo de munição.

O Irã e Israel não fazem parte da Convenção sobre Munições de Fragmentação, de 2008. O tratado, assinado por mais de 100 países, proíbe o uso, a transferência, a produção e o armazenamento dessas armas.

COMO ESSE TIPO DE MUNIÇÃO FUNCIONA

A munição 'cluster' é projetada para dispersar bombas menores em uma grande área. Ao ser lançada contra um alvo, o conteúdo se desprende durante o trajeto e espalha subprojéteis, ampliando o alcance do ataque.

Em um exemplo citado por militares israelenses em 2025, a ogiva se abriu a cerca de 7 km de altitude e espalhou 20 submunições. A dispersão, segundo esse relato, cobriu uma área de cerca de 8 km no centro de Israel.

Essas armas podem ser lançadas do ar ou disparadas do solo ou do mar. Um fusível ativa o armamento e as submunições se espalham, podendo atingir uma área extensa.

Parte das submunições pode não explodir no momento do impacto e continuar oferecendo risco depois. Esse 'efeito atrasado' é um dos motivos de críticas, porque os explosivos podem permanecer no local e causar vítimas posteriormente.

POR QUE BOMBAS DE FRAGMENTAÇÃO SÃO CRITICADAS

Bombas de fragmentação são condenadas por leis humanitárias internacionais por seu impacto em áreas amplas. Elas foram usadas pela primeira vez na Segunda Guerra Mundial com o objetivo de destruir múltiplos alvos.

Civis, especialmente crianças, são apontados como as principais vítimas registradas desse tipo de armamento. Quando não explodem após o lançamento, as submunições podem ser pequenas e parecer brinquedos, o que aumenta o risco de manuseio e acidentes.

Em conflitos recentes, a taxa de falha - quando a munição não explode como previsto - variou de 10% a 40%, segundo dados citados por veículos internacionais. Esse índice ajuda a explicar por que esses artefatos podem continuar perigosos muito depois do ataque.

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