Academia que mulher morreu colocava volume de cloro para uma semana em um dia

Publicado em 13/02/2026, às 10h30
Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Por g1

Uma mulher morreu após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo, onde a investigação aponta uso excessivo de cloro, levando à suspeita de intoxicação. Seis outras pessoas também apresentaram sintomas, resultando em internações, e a academia foi interditada pela prefeitura.

O delegado responsável revelou que a quantidade de cloro utilizada em um único dia era equivalente à que deveria ser aplicada em uma semana, levantando preocupações sobre a manipulação inadequada do produto por um funcionário não qualificado. Câmeras de segurança mostraram fumaça branca saindo de um balde com a mistura antes da aula, indicando a liberação de gases tóxicos.

Os sócios da academia foram indiciados por homicídio com dolo eventual, e o Ministério Público apoiou o pedido de prisões temporárias, que agora aguarda decisão judicial. A defesa dos sócios contesta o indiciamento, alegando colaboração nas investigações e questionando a falta de conclusão dos laudos periciais.

Resumo gerado por IA

O delegado responsável por investigar as causas e responsabilidades pela morte de uma mulher após uma aula de natação na Zona Leste de São Paulo afirmou que a academia usava, em apenas um dia, a quantidade de cloro que deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte.

Juliana Faustino Bassetto morreu no sábado (7) após passar mal na C4 Gym. Outras seis pessoas também não se sentiram bem, três delas foram internadas , incluindo, o marido da aluna.

A suspeita da Polícia Civil é a de que elas foram intoxicadas por cloro. O laudo pericial que poderá apontar isso ainda não ficou pronto. A academia foi interditada pela prefeitura.

"A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana numa piscina desse tipo", disse o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (DP), Parque São Lucas, na quinta-feira (12). Ele não informou a quantidade.

A polícia apura se a manipulação inadequada do cloro, realizada por um manobrista sem qualificação técnica, gerou a liberação de gases tóxicos. Câmeras de monitoramento da academia registraram fumaça branca saindo de um balde com a mistura usada na piscina instantes antes da aula. Outras imagens mostram as vítimas pedindo ajuda.

Em seu depoimento, o manobrista Severino José da Silva contou à polícia que limpava o espaço seguindo ordens de um dos sócios da academia da enviadas pelo WhatsApp. O funcionário não foi responsabilizado pela polícia.

A delegacia indiciou os três sócios da C4 Gym, Cezar Augusto Miguelof Terração e os irmãos Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz, pelo crime de homicídio por dolo eventual, quando se assume o risco de matar, e pediu as prisões temporárias deles.

Segundo o delegado, houve tentativa de interferência na investigação: os empresários atrasaram o depoimento do manobrista Severino José da Silva, que acumulava a função de fazer a manutenção da piscina, ao enviar outro funcionário no lugar dele e também tentaram ocultar a existência de um segundo manobrista.

O Ministério Público (MP) concordou com o pedido e a Justiça decidirá se decretará as prisões.

"Chegamos à conclusão de que houve por parte dos proprietários da empresa um descuido, descaso deliberado de forma gananciosa para que o resultado ocorresse. Por isso, eles foram indiciados na noite de ontem [de quarta-feira, dia 11] por homicídio com dolo eventual", disse o delegado Alexandre.

A polícia não responsabilizou o manobrista Severiano no caso. "Ele foi manipulado pelos sócios da empresa", afirmou o delegado. "Ele não responderá criminalmente por nenhum crime." A defesa dele não foi encontrada pela TV Globo.

A defesa dos sócios da academia declarou que os três estão colaborando com as investigações e que causa indignação o indiciamento deles sem a conclusão dos laudos da perícia.

A mãe de Juliana falou na quinta com a TV Globo sobre o sentimento de luto que está passando em razão da morte da filha.

"Parece que eu tô vivendo um pesadelo. Eu gostaria de ter minha filha de volta, isso que eu gostaria. Que isso não aconteça com mãe nenhuma, com filha nenhuma", disse Nívea Faustino Basseto. "Ela perdeu a vida por irresponsabilidade de uma pessoa. É um sentimento bem difícil de aceitar e de falar... aconteceu, somente aconteceu".

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