Duas mortes de trabalhadores em Coruripe, Alagoas, levantaram suspeitas de fraude em um seguro de vida de R$ 1 milhão, onde o patrão era um dos beneficiários. As mortes ocorreram em circunstâncias suspeitas, uma por afogamento e outra por picada de cobra.
As vítimas, identificadas como Ronaldo e Jorge dos Santos, eram vigias e estavam vinculadas a uma investigação maior sobre fraudes contra a Caixa Econômica Federal, que envolve empresários e um gerente da instituição. A operação 'Contrato Final' busca desarticular uma organização criminosa que utilizava documentos falsos para obter empréstimos.
A Polícia Civil está investigando o caso, e 32 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na apreensão de bens e armas. Os envolvidos enfrentam acusações de lavagem de capitais e estelionato, com penas que podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Pelo menos duas mortes de trabalhadores levantaram suspeitas de uma seguradora ao ponto da empresa acionar a Polícia Civil em Alagoas. A TV Pajuçara apurou que dois trabalhadores de Coruripe haviam contratado seguro de vida no valor de R$ 1 milhão e que o patrão deles - que seria o mesmo homem - era um dos beneficiários da apólice. Um homem morreu afogado e outro faleceu após sofrer uma picada de cobra.
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O caso é um desdobramento da operação "Contrato Final", deflagrada na manhã desta quarta-feira, 25, pela Polícia Federal com o objetivo de combater fraudes milionárias contra a Caixa Econômica Federal em Alagoas, nas cidades de Maceió, Coruripe e São Luís do Quitunde.
Segundo o Fique Alerta, as vítimas que morreram trabalhavam como vigia e foram identificadas como Ronaldo dos Santos e Jorge dos Santos. Jorge teria morrido em decorrência de uma picada de cobra, na área de um galpão que pertenceria ao mesmo patrão, em outubro de 2024.
O nome do empresário não foi divulgado. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil alagoana.
"Os indícios que apontam para mortes 'suspeitas' de pessoas em situação de vulnerabilidade, titulares de seguro de vida, cujos beneficiários estão entre os investigados, serão repassados ao órgão policial competente para providências cabíveis", informou a Polícia Federal.
'Contrato Final'
A investigação da PF revelou que o grupo, liderado por empresários e com a participação direta de um gerente da própria instituição financeira, utilizava documentos falsos e empresas inexistentes para obter vultosos empréstimos bancários. Ainda de acordo com a polícia, os investigados teriam feito seguro de vida para pessoas em situação de rua, que morriam posteriormente em situação suspeita.
A operação visa desarticular a organização criminosa especializada nas violações bancárias estruturadas e lavagem de capitais, que operava por meio da criação de empresas de fachada e cooptação de "laranjas" para lesar a Caixa.
Nesta quarta-feira, 32 mandados judiciais de busca e apreensão foram cumpridos, além de mandados de prisão preventiva, sequestro de bens, afastamento cautelar de função pública e quebra de sigilo de dados telemáticos. Armas de fogo, veículos de luxo, balança de precisão e equipamentos eletrônicos foram apreendidos.
Os investigados serão indiciados pelos crimes de lavagem de capitais, estelionato majorado, falsidade ideológica, organização criminosa e obtenção de financiamento mediante fraude em instituição financeira. As penas, se somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
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