"Agora não é hora de ir atrás de culpados”, diz prefeito após acidente com romeiros

Publicado em 04/02/2026, às 08h03
Divulgação/Agência Alagoas
Divulgação/Agência Alagoas

por Pedro Acioli*

Publicado em 04/02/2026, às 08h03

Um grave acidente envolvendo um ônibus que transportava romeiros resultou na morte de 16 pessoas e deixou dezenas de feridos em São José da Tapera, Alagoas. O prefeito Bueno Higino enfatizou que o foco agora é apoiar as famílias das vítimas, evitando discussões sobre culpabilidade.

O ônibus, que realizava transporte clandestino, estava irregular e não possuía as devidas licenças e seguros exigidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A tragédia ocorreu quando o veículo tombou ao sair da pista em uma curva, caindo em uma ribanceira de mais de cinco metros.

A ANTT está monitorando a situação e reforçou suas ações de fiscalização para coibir o transporte clandestino. Investigações estão em andamento para determinar as causas exatas do acidente, incluindo análises do tacógrafo e do sistema de freios do ônibus.

Resumo gerado por IA

“Agora não é hora de eu ir atrás de culpados.” A declaração foi dada pelo prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, ao se pronunciar sobre o grave acidente que vitimou 16 romeiros naturais do município. Segundo ele, neste momento de luto, a prioridade da gestão municipal é prestar apoio às famílias das vítimas, e não discutir possíveis responsabilizações. 

A tragédia ocorreu por volta das 6h dessa terça-feira (03), no povoado Caboclo, em São José da Tapera, no Sertão de Alagoas. O ônibus estava retornando da cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, com destino a Coité do Nóia, quando tombou deixando dezenas de feridos. No momento do acidente, o veículo tinha aproximadamente 60 ocupantes.

O prefeito do município alagoano publicou um pronunciamento oficial alegando que a viagem dispunha de equipe médica, medicação e um ônibus em bom estado de conservação. 

“Essa viagem foi pensada com muito carinho, com muita dedicação, é feita ao longo de 25 anos, desde 2000, quando meu pai era vivo. E essa viagem não foi diferente, foi equipada com equipe médica, com medicação, ônibus em perfeito estado de conservação, tudo para que fosse uma viagem de paz [...], mas, infelizmente, a gente não está livre de um acidente fatal, como foi o ocorrido”. 

Ainda durante o vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito afirmou que o momento é de ajudar as vítimas e não de procurar possíveis culpados pelo acidente. 

Agora não é hora de eu ir atrás de culpados. É hora da gente cuidar das nossas famílias, do povo de Coité do Nóia. Assim como as nossas famílias estão enlutadas, possam ter a certeza que o prefeito também está”, complementou. 

Confira o pronunciamento completo: 

Ônibus estava irregular e fazia transporte clandestino

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em nota enviada à imprensa, o veículo estava irregular e fazia transporte clandestino de passageiros.

O ônibus, de placa JJB3D75, não possui habilitação na ANTT. Não possui certificado de Segurança Veicular (CSV) ou seguro de responsabilidade civil vigente. Além disso, não havia Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado.

Ainda no comunicado, a ANTT reforçou que monitora o caso junto aos órgãos competentes e continua com as ações de fiscalização para evitar o transporte clandestino em todo o país.

Ônibus passou direto na curva

Segundo o perito criminal Gerard Deokaran, o ônibus, que retornava de Juazeiro do Norte, no Ceará, saiu da pista ao fazer uma curva, caiu em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura e tombou às margens da via, no sentido do município sertanejo.

Foram analisadas marcas na pista e na ribanceira, recolhido o tacógrafo para análise, realizados exames no sistema de freios e medições para verificação de velocidade. Não foram identificados sinais de frenagem antes da saída da pista. Exames complementares ainda serão realizados para a consolidação do laudo e o esclarecimento técnico da causa e da dinâmica do acidente.

*Estagiário sob supervisão

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