Saúde

Agrotóxicos podem causar mais doenças e afetam até bebês, diz estudo

Metrópoles | 08/07/21 - 22h11
Reprodução / Brasil Escola

A exposição frequente aos produtos químicos geralmente usados na agricultura é comum entre profissionais do campo. Mas um novo estudo, realizado por pesquisadores franceses, alerta para uma quantidade maior de doenças associadas à exposição aos agrotóxicos, inclusive em quem ainda nem chegou a nascer.

O estudo francês, publicado no Inserm (Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica) na quarta-feira (30/6), é uma atualização de uma vasta pesquisa iniciada em 2013. Naquela época, os cientistas já haviam sinalizado a alta probabilidade de ligação entre os agrotóxicos e quatro patologias graves, incluindo câncer e Parkinson.

Agora, a pesquisa ampliou essa lista para seis doenças: foram adicionados danos cognitivos, identificados em adultos e crianças, e doenças respiratórias.

Os cientistas do instituto francês constataram também que a exposição a herbicidas e fungicidas é perigosa para humanos desde antes do nascimento, quando a grávida tem contato de forma regular e profissional com os produtos químicos.

“São duas classes de inseticidas bem conhecidas, os organofosforados e os piretroides. A exposição ao primeiro altera as capacidades motoras, sensoriais e cognitivas do bebê desde a gestação. O segundo causa problemas de comportamento, em especial de ansiedade”, explica o pesquisador em toxicidade ambiental Xavier Coumoul, um dos 12 autores do relatório.

“Temos ainda uma terceira patologia extremamente grave, tumores do sistema nervoso central ligados à exposição aos pesticidas sem distinção durante o período pré-natal, ou seja, logo antes do nascimento”, complementa o pesquisador em entrevista à RFI.

Coumoul cita ainda a leucemia como a quarta doença grave que pode afetar as crianças. O contato delas com os químicos pode ocorrer mesmo em ambiente doméstico, no jardim de casa, por exemplo, em países onde o uso amador de agrotóxicos não foi proibido, como é o caso do Brasil.

A pesquisa também levantou a hipótese de que os produtos são potencialmente danosos especificamente às mulheres, com a possibilidade de provocar endometriose, uma doença que causa dores fortes no período menstrual e pode levar à infertilidade. Os cientistas advertem, porém, que essa pista precisa ser mais estudada.

Para chegar nesses resultados, a equipe analisou mais de 5,3 mil documentos sobre o tema, elaborados por pesquisadores internacionais e disponibilizados no primeiro trimestre de 2020 em bancos de dados especializados.

Os dados do relatório sugerem que moradores de áreas urbanas localizadas a menos de 1,5 quilômetro de plantações onde há aplicação das substâncias químicas também correm risco de desenvolver algumas dessas patologias. No entanto, ainda é necessário realizar mais estudos focados nessa relação.