Brasil

Amigo de jovem picado pela Naja é transferido para a carceragem no DF

Metrópoles | 22/07/20 - 17h37
Rafaela Felicciano/Metrópoles

Gabriel Ribeiro, estudante de medicina veterinária e amigo de Pedro Krambeck, o jovem picado pela Naja kaouthia que criava em casa, no Guará, foi transferido na tarde desta quarta-feira (22/7) para a carceragem da Polícia Civil do Distrito Federal, no Departamento de Polícia Especializada, no Parque da Cidade.

Gabriel foi preso nesta manhã, em mais um desdobramento da Operação Snake, que investiga um possível esquema de tráfico ilegal de animais no DF.

Advogada de Gabriel, Amanda Bedaqui afirma que vai pedir habeas corpus, em caráter de urgência. Porém, até que a Justiça decida a favor do rapaz, ele ficará cinco dias preso, uma vez que o mandado de prisão expedido contra ele é de caráter temporário. Ele é acusado de interferir nas investigações da PCDF, bem como é considerado suspeito de fazer parte do esquema de tráfico de animais.

A previsão é que Gabriel passe ao menos cinco dias encarcerado no DPE, com a possibilidade de ter o pedido de prisão prorrogado por mais cindo dias e, posteriormente, convertida em preventiva.

Gabriel é suspeito, inclusive, de ter ocultado outras 16 serpentes, que também pertenciam ao jovem picado pela cobra da espécie Naja kaouthia, em uma chácara na zona rural de Planaltina.

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, 22 anos, foi picado pela serpente asiática em 7 de julho e chegou a ficar em coma no Hospital Maria Auxiliadora, no Gama. O rapaz, que também é estudante de veterinária, teve alta e está em casa, no Guará. Ele ainda não prestou depoimento, pois apresentou atestado médico justificando a pandemia do novo coronavírus como motivo.

Gabriel foi um dos alvos da segunda fase da operação, deflagrada no último dia 16. O jovem chegou a ser conduzido para a 14ª DP (Gama). Os investigadores encontraram maconha na residência de Gabriel e o levaram à 14ª DP.

Policiais cumpriram, na ocasião, quatro mandados, no Guará, Gama e Riacho Fundo. Foram apreendidos diversos documentos, celulares, medicamentos de uso veterinário, mais uma serpente conhecida como Corn Snake (Cobra do milho) e vários itens usados na criação ilegal de animais silvestres e exóticos.

A Corn Snake tem origem americana. É usada em exposições e como alimento para outras cobras. A serpente não é peçonhenta, mas, no Brasil, precisa de autorização para ser criada em casa. A prática pode até resultar em multa. O dono da cobra, que mora no Riacho Fundo e também é estudante de veterinária, foi alvo da operação. Os policiais o conduziram à delegacia, onde foi autuado por maus-tratos a animais.

O coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Eduardo Condi também foi objeto da segunda fase da Operação Snake. Padrasto do estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, ele também é suspeito de ocultação de provas.

O oficial, que prestou depoimento na 14ª DP, assim como a mãe do estudante Pedro Henrique, foi visto saindo do prédio em que a família mora, no Guará, carregando caixas com as cobras.

As cobras apreendidas estão no Zoológico de Brasília. As consideradas exóticas ficarão no serpentário do local até que o Ibama decida o destino final delas. Uma das possibilidades é que os répteis sejam encaminhados ao Instituto Butantan, em São Paulo.