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André Mendonça devolve à CPMI do INSS acesso a dados sigilosos de Daniel Vorcaro

Informações em posse da presidência do Senado devem ser entregues à PF, que deverá compartilhar com a comissão que investiga fraudes no INSS

Publicado em 20/02/2026, às 15h03
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). - Fellipe Sampaio/STF/Flickr
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). - Fellipe Sampaio/STF/Flickr

Por Por Andréia Sadi | G1

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a entrega de dados sigilosos sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master à CPMI que investiga fraudes no INSS, permitindo que a Polícia Federal compartilhe as informações com a comissão. Essa decisão é um passo importante para a continuidade das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo contratos de crédito consignado.

Os dados incluem informações bancárias, fiscais e telefônicas de Vorcaro, cuja quebra de sigilo foi aprovada pela CPMI em dezembro. A comissão busca esclarecer possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master e sua conexão com fraudes no INSS.

Mendonça determinou que a CPMI deve ter acesso a esses dados para garantir a eficácia das investigações, e o depoimento de Vorcaro está agendado para a próxima segunda-feira, com foco nas operações do banco. O ministro também destacou a legitimidade das CPIs em acessar informações relevantes para suas investigações.

Resumo gerado por IA

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS o acesso a dados sigilosos sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master que estão sob custódia da presidência do Senado.

Na decisão, Mendonça determina que o Congresso entregue os documentos à Polícia Federal, que fará o compartilhamento com a CPMI.

Há nesses arquivos dados bancários, fiscais e telefônicos de Vorcaro. A quebra dos sigilos do banqueiro foi aprovada pela própria CPMI em dezembro. Mas as informações estavam sob custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por decisão de Dias Toffoli, que era o relator do caso Master.

Mendonça já era o relator no STF do inquérito que apura fraudes no INSS e assumiu também o caso Master, que herdou de Toffoli na semana passada.

"DETERMINO à Presidência do Congresso Nacional que proceda à imediata entrega às autoridades da Polícia Federal que estão investigando diretamente os fatos relacionados à Operação Sem Desconto de todos os elementos informativos oriundos das quebras de sigilo mencionadas nesta decisão, estejam eles em meio físico ou digital, não devendo permanecer com qualquer cópia do citado material", diz o ministro.

A CPMI quer esses dados porque uma das frentes da investigação parlamentar é sobre suspeitas de fraude no INSS que envolvem contratos de crédito consignado do Banco Master.

Pela mesma razão, a comissão pretende ouvir o depoimento de Vorcaro na próxima segunda-feira (23).

O depoimento à CPMI do INSS deve tratar apenas de questões relacionadas aos empréstimos do Master e não pode avançar sobre outras investigações, como a tentativa de venda do banco ao BRB (Banco de Brasília) e o suposto esquema para inflar valores usando fundos de investimento da gestora Reag.

Nesta quinta (19), o ministro Mendonça decidiu que a ida do banqueiro à CPMI é facultativa, e que ele poderá viajar a Brasília em um voo regular comercial ou em aeronave da PF.

Vorcaro está preso em regime domiciliar em São Paulo, sob monitoramento eletrônico. A TV Globo apurou que ele havia pedido para realizar o deslocamento em um jato privado.

Mendonça diz que CPMI tem direito a acessar informações

Na decisão, Mendonça afirma que a devolução dos dados obtidos por iniciativa da própria CPMI do INSS é adequada e necessária para assegurar a continuidade das investigações.

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pediu acesso aos dados após Mendonça assumir a condução do inquérito.

O mesmo pedido havia sido feito a Toffoli, mas ele havia dito que só poderia fazer isso no final das investigações da PF.

Medonça afirma na decisão que CPIs têm legitimidade para manter esses dados sob sua responsabilidade e que o compartilhamento de informações potencializa a eficiência tanto da investigação parlamentar quanto da própria Polícia Federal.

"Nesse cenário, a atuação das Comissões Parlamentares de Inquérito insere-se no sistema mais amplo de investigação estatal, que compreende também órgãos de persecução penal e entidades responsáveis pela investigação criminal", diz Mendonça.

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