André Mendonça quebra sigilos de Lulinha a pedido da Polícia Federal

Publicado em 26/02/2026, às 18h06
Foto: Reprodução
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Por Luísa Martins e José Marques/FolhaPress

O ministro André Mendonça, do STF, atendeu a um pedido da Polícia Federal e quebrou os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, em meio a investigações sobre possíveis irregularidades relacionadas ao INSS.

As investigações da PF, que incluem menções a Lulinha em apurações da Operação Sem Desconto, levantam suspeitas de que ele poderia ser sócio oculto de um lobista envolvido em pagamentos irregulares, com um total de R$ 1,5 milhão recebidos por uma empresária amiga de Lulinha.

A defesa de Lulinha nega qualquer envolvimento em fraudes e afirma que seu cliente é alvo de acusações infundadas, enquanto a situação permanece sob investigação, com a CPI mista também considerando a quebra de sigilo do filho do presidente.

Resumo gerado por IA

A pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), quebrou os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).


O pedido da PF foi feito há cerca de um mês, e a decisão de Mendonça foi tomada antes de a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista que apura descontos indevidos em benefícios do INSS aprovar a quebra de sigilo do filho do presidente.


A informação sobre a decisão de Mendonça foi divulgada inicialmente pelo site Poder360 e confirmada pela reportagem. Procurada pela reportagem, a defesa de Lulinha ainda não se manifestou.


A PF tem apurado citações feitas a Lulinha nas investigações da Operação Sem Desconto. A informação de que ele estava sendo investigado foi enviada a Mendonça, relator do inquérito sobre o tema.


Menções indiretas a Lulinha por alvos da investigação já tinham sido divulgadas em dezembro do ano passado. À época, segundo pessoas com conhecimento das apurações, essas citações já estavam sendo investigadas.


Uma das linhas da apuração é a de que o filho do presidente tenha sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.


Na operação de dezembro, a PF investigava um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem de Antunes a uma empresária que é amiga de Lulinha. No total, a empresária teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista.


Em uma mensagem apreendida pela PF em uma das fases da operação, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, a RL Consultoria e Intermediações.


O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria "o filho do rapaz" e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Luchsinger.


Os advogados de Roberta Luchsinger, Bruno Salles e Leonardo Palazzi, disseram à época em nota que a empresária não tem qualquer relação com os descontos do INSS.


"Roberta Luchsinger e sua empresa atuam com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras", diz a nota, que acrescenta que ela foi procurada em 2024 pela empresa do Careca do INSS "para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol".


"Cumpre esclarecer que os negócios se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar", disseram, na ocasião.


Também à época, o advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, disse que não é a primeira vez que seu cliente é alvo de "malabarismos acusatórios" e narrativas falsas sem ter cometido irregularidades.


"Fábio não tem nenhuma relação com as fraudes do INSS ou qualquer outro crime, investigado ou não pela 'Operação Sem Desconto'", disse.

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