Após 40 anos no oceano, maior iceberg do mundo está prestes a colapsar, diz Nasa

Publicado em 09/01/2026, às 19h55
Foto: Reprodução/NASA Earth Observatory
Foto: Reprodução/NASA Earth Observatory

Por Um Só Planeta

A Nasa divulgou uma imagem do iceberg A-23A, que está prestes a colapsar após 40 anos de observação, com sinais de desintegração nas águas do Oceano Atlântico sul. Com 1.182 quilômetros quadrados, ele se desprendeu em 2020 e está se fragmentando rapidamente.

O A-23A, que tinha 4 mil quilômetros quadrados quando se separou da Antártida em 1986, é considerado um dos maiores icebergs do mundo e seu colapso era esperado desde o ano passado, especialmente com a chegada do verão austral, que acelera o derretimento.

Cientistas monitoram o iceberg e indicam que ele pode se desintegrar completamente em dias ou semanas. O desaparecimento do A-23A é visto como um momento agridoce, refletindo a importância do monitoramento por satélites na compreensão das mudanças climáticas.

Resumo gerado por IA

A Nasa, agência espacial americana, publicou na quinta-feira (8) uma imagem que mostra um dos maiores icebergs já vistos em ritmo de despedida, após 40 anos de observações científicas. O A-23A, mesmo ainda com cerca de 1.182 quilômetros quadrados de extensão (quase o tamanho de cidades como São Paulo e Rio), exibe sinais de um colapso iminente nas águas do Oceano Atlântico sul.


Após ficar encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell por mais de 30 anos, o A-23A se desprendeu em 2020 e passou vários meses em um vórtice oceânico giratório (uma espécie de grande redemoinho) chamado coluna de Taylor. Quando se desprendeu e seguiu para o norte, quase colidiu com a ilha Geórgia do Sul e permaneceu em águas rasas por vários meses antes de escapar para o oceano aberto, onde vem se fragmentando rapidamente ao longo de 2025, observam os pesquisadores.

A vida do A-23A foi acompanhada por cientistas e também pela imprensa, frequentemente noticiando a localização e detalhes sobre a imensa plataforma de gelo, que tinha 4 mil quilômetros quadrados quando se desprendeu da Antártida, em 1986. Ele é frequentemente classificado como "o maior iceberg do mundo".


O colapso da estrutura vem sendo esperado desde o ano passado. A imagem atual, com uma cobertura de água por cima do gelo, indica que a vida deste c está perto do fim, ao menos na forma de gelo, avaliam especialistas.

"Certamente não espero que o A-23A dure até o final do verão austral", disse Chris Shuman, pesquisador aposentado da University of Maryland Baltimore County, ao portal da Nasa. A estação normalmente traz céus mais claros e temperaturas do ar e da água mais quentes, fatores que aceleram o processo de desintegração em uma área conhecida entre os especialistas em gelo como um "cemitério" de icebergs.

As imagens de satélite sugerem que o iceberg sofreu um “vazamento”, observa a agência espacial. A área branca à sua direita (na foto acima) pode ser resultado do que Shuman descreveu como um "estouro". O peso da água acumulada no topo do iceberg teria criado pressão suficiente nas bordas para rompê-lo.

Os cientistas afirmam que esses sinais indicam que o iceberg pode estar a apenas alguns dias ou semanas de se desintegrar completamente.


Os cientistas que acompanharam o iceberg durante toda a sua carreira veem seu desaparecimento iminente como um momento "agridoce", apontou a Nasa. "Sou incrivelmente grato por termos tido os recursos de satélite que nos permitiram rastreá-lo e documentar sua evolução tão de perto", disse Shuman.

"O A-23A enfrenta o mesmo destino que outros icebergs da Antártida, mas sua trajetória foi notavelmente longa e repleta de acontecimentos. É difícil acreditar que ele não estará conosco por muito mais tempo."


Outros "companheiros" do A-23A, no entanto, seguem pelas águas da Antártida, sob as lentes atentas dos satélites, lembra a agência espacial.

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