Publicado em 11/04/2026, às 16h22 - Atualizado às 16h42
Após uma reunião entre órgãos públicos para discutir o combate à gripe aviária em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação recebeu relatos de pessoas que levaram para casa uma pardela de bico amarelo encontrada encalhada na praia, o que pode agravar a situação de saúde pública relacionada ao vírus H5N1.
O biólogo João Antônio alertou que aves debilitadas podem estar infectadas pela influenza aviária, um vírus altamente contagioso que representa riscos tanto para aves quanto para humanos, e enfatizou que a população não deve tocar ou levar animais encontrados na praia.
O Ministério Público de Alagoas iniciou a elaboração de um Plano de Ação estadual para enfrentar a gripe aviária, em resposta à ausência de diretrizes e ao aumento de casos de aves doentes, enquanto o estado de emergência zoossanitária foi prorrogado pelo Ministério da Agricultura por mais 180 dias.
Um dia após a reunião entre órgãos responsáveis discutir medidas para o enfrentamento da gripe aviária em Alagoas, ocorrida nessa sexta-feira, 10, o Instituto Biota de Conservação informou à imprensa, neste sábado, 11, que recebeu contato de pessoas que levaram para casa uma ave que encalhou viva na praia.
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A justificativa dada ao instituto foi de que o animal foi levado porque estava “torrando no sol”. O pássaro em questão é uma pardela de bico amarelo (Calonectris borealis), que aparece no vídeo abaixo, visivelmente ferida. Nestes casos, a recomendação é não recolher o bicho ou sequer tocá-lo.
O biólogo João Antônio, do Biota, explicou que esses animais se deslocam do hemisfério norte ao hemisfério sul, para reproduzir ou se alimentar. “Parte deles encalha em nossas praias, por estarem debilitados ou doentes, que é o caso possível da influenza aviária, que é um vírus altamente contagioso entre aves domésticas e selvagens, que também podem acometer risco à saúde humana”.
João ressalta que, mesmo com a intenção de ajudar, a população não deve tocar em qualquer animal encontrado na praia, seja vivo ou morto. “Jamais leve para casa, que é uma atitude que vem sendo frequente. Recomendamos que acionem o Biota, para que a gente repasse a ocorrência aos outros órgãos ambientais”.
A pessoa que encontrar algum animal encalhado, vivo ou morto, deve acionar o Instituto Biota, por meio dos telefones (WhatsApp): (82) 99115-2944 / 98815-0444 / 99115-5516. Para estes contatos podem ser enviados vídeos, fotos e a localização.
Plano de Ação Estadual
Nessa sexta, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) realizou uma audiência para discutir medidas de enfrentamento à gripe aviária no estado, em meio à ausência de um Plano de Ação estadual para o enfrentamento do vírus H5N1. O cenário tem gerado preocupação após registros de aves silvestres, inclusive espécies migratórias, encontradas doentes ou mortas nas praias alagoanas.
Participaram do encontro equipes técnicas de instituições como IMA, Adeal, Sesau, BPA, UVZ, Lacen e Instituto Biota, que iniciaram a elaboração de uma minuta do Plano de Ação.
Emergência zoossanitária
No último dia 26 de março, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo território nacional, por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União.
A situação foi declarada pela primeira vez em 22 de maio de 2023, por conta da detecção da infecção pelo vírus da influenza aviária H5N1 de alta patogenicidade (IAAP) em aves silvestres no Brasil.
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