O Ministério Público de Alagoas denunciou as precárias condições do Centro Médico da Polícia Militar em Maceió, que opera em um imóvel inadequado e apresenta sérios problemas estruturais, impactando a saúde dos policiais.
A unidade, que anteriormente era um hotel, carece de espaço e possui um sistema de prontuários obsoleto, colocando em risco a segurança das informações médicas, além da falta de profissionais de saúde qualificados para atender os militares.
Em 2021, o MP já havia recomendado a realização de concurso para contratação de psiquiatras, mas a solicitação não foi atendida, resultando em um aumento de afastamentos por problemas de saúde mental entre os policiais.
O Ministério Público de Alagoas denunciou nesta sexta-feira (6) as condições físicas e funcionais do Centro Médico da Polícia Militar, localizado no bairro da Pajuçara, em Maceió, após inspeção realizada pela Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial.
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Segundo o MP, a unidade funciona em um imóvel alugado que substitui o antigo prédio da corporação. Para a promotora Karla Padilha, o espaço é precário e inadequado para atendimento de saúde.
O espaço tem problemas muito sérios, é apertado, um odor insuportável que exala de uma tubulação, o que em hipótese alguma deveria existir em uma unidade de saúde", afirmou.
Durante a inspeção, o MP chegou a conclusão que o local é insuficiente e o registro de procedimentos ainda é retrógrado.
O local onde funciona o centro médico era um hotel. Os cômodos são insuficientes, os banheiros estão sendo utilizados como depósitos pela ausência de espaço. Tem canalização que espalha aquele odor ruim. Outra observação diz respeito aos prontuários pois, infelizmente, a empresa contratada não está exercendo adequadamente a função de digitalizar todos os prontuários biométricos que ainda são físicos, e isso, obviamente, oferece um risco em segurança das informações porque não há controle, tudo em papéis velhos mantidos num arquivo físico, em ambiente insalubre. E o Ministério Público vai tomar medidas em relação a isso", completou a promotora.
Ela também destacou a falta de profissionais, como médicos, psicólogos e psiquiatras.
Vários casos de militares com problemas psicológicos graves em decorrência da atividade desempenhada, ou por alcoolismo, e é preciso que se pense com muita responsabilidade sobre o acolhimento, a assistência a estas pessoas que lidam diariamente com violência, presenciam cenários aterrorizantes cujas imagens ficam gravadas.
O primeiro concurso para o quadro da Saúde da PM ocorreu em 1992 e o segundo, em 2006. No último, foram oferecidas vagas para cardiologista, ortopedista, fisioterapeuta, assistente social e psicólogo. Atualmente, apenas dois oficiais do primeiro concurso e três do segundo permanecem na instituição. Os demais profissionais são cedidos pelo Estado até a realização de novo certame.
O TNH1 procurou a Polícia Militar para comentar a denúnica, mas até o fechamento desta matéria não havia dado retorno, ficando aberto o espaço.
Em 2021, o MP já havia emitido recomendação para que fosse realizado concurso para preencher três vagas na área de psiquiatria ou, enquanto isso, que profissionais fossem contratados ou cedidos pela Secretaria Estadual da Saúde. A recomendação não foi atendida.
Na época, relatórios da Junta Médica da PM apontaram que, em seis meses de 2020, 670 policiais foram afastados para tratamento de saúde, com 305 por transtornos mentais e comportamentais.
Entre 2014 e 2024, o banco de dados registrou 42 tentativas de homicídio na tropa. Destes, 12 militares foram diagnosticados com depressão. De 2007 a 2025, houve 27 homicídios que vitimaram policiais.
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