Assassinato de chefe do tráfico teria motivado onda de mortes na Barra de São Miguel, diz delegada

Publicado em 07/04/2026, às 12h47
Vídeo mostra chegada de executores de Laudemir - Foto: Reprodução
Vídeo mostra chegada de executores de Laudemir - Foto: Reprodução

por Eberth Lins

Publicado em 07/04/2026, às 12h47

A morte de Laudemir da Silva, ex-reeducando e chefe do tráfico na Barra de São Miguel, desencadeou uma série de assassinatos na região, incluindo a execução de duas outras pessoas em retaliação. O crime ocorreu durante a madrugada de domingo, quando Laudemir foi surpreendido em sua casa por criminosos armados.

Laudemir, conhecido como 'Didi', foi assassinado enquanto dormia ao lado de sua companheira, que não foi ferida. A polícia investiga a conexão entre os homicídios, que seguem um padrão de execução similar, com criminosos simulando ser policiais para invadir residências.

Um suspeito, motorista do veículo utilizado na execução de Laudemir, foi preso, e as investigações continuam para identificar os demais envolvidos. A sequência de homicídios gerou preocupação na comunidade, um importante destino turístico, que agora enfrenta uma onda de violência sem precedentes.

Resumo gerado por IA
A morte de Laudemir da Silva, um ex-reeducando do sistema prisional apontado pela polícia como chefe do tráfico de drogas na Barra de São Miguel, teria motivado os outros dois assassinatos ocorridos no mesmo município, no último domingo (05). A informação foi fornecida pela delegada Rosimeire Vieira, durante entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara.
Laudemir, conhecido como "Didi", tinha 48 anos e foi executado após ter a casa onde morava invadida por uma dupla armada, na Rua José Vieira de Andrade, na madrugada do dia 5 de abril. Horas depois, mais duas pessoas foram executadas na cidade litorânea, segundo a polícia, uma rápida retaliação pela morte do líder do tráfico.
"Foi uma série de homicídios na madrugada de segunda e as investigações demonstraram, até então, que a primeira morte teria desencadeado as demais. Esse homem que foi assassinado dentro da própria residência era conhecido da polícia como um traficante, era um dos maiores líderes do tráfico na cidade da Barra de São Miguel", detalhou a delegada Rosimeire Vieira, responsável pelo caso.
A onda de homicídios segue sendo investigada e um homem que teria participado da morte de Laudemir foi preso na segunda-feira (06). Ele seria o motorista do veículo que conduziu os outros criminosos que executaram Laudemir. A vítima dormia ao lado da companheira, mas mulher não sofreu ferimentos.
"Com análise das imagens que obtivemos e do trajeto dos autores do crime até o local do assasinato, vimos que eles utilizaram um veículo corsa de cor preta, cujo proprietário é de Rio Largo e foi preso ontem. Tão logo identificamos a placa desse veículo, ele foi preso.
Avançando ainda mais nessas imagens, no que se refere aos outros homicídios, se percebe que a utilização foi de uma motocicleta, também cometido por uma dupla. Tudo leva a crer, diante do que está sendo apurado, que seria uma retaliação ao primeiro homicídio. Não a dupla que ocupava o corsa preto, mas sim uma nova dupla, dessa vez numa motocicleta de cor vermelha teria cometido esses outros crimes como forma de retaliação", detalhou a delegada.
Conforme Rosimeire Vieira, "certamente o primeiro [ homicídio] foi premeditado".  "Ainda está sendo apurado a questão da autoria intelectual. A execução do crime está clara, foi cometido por esses três homens, as imagens não deixam qualquer dúvida. O motorista de forma tranquila chega a residência e aguarda o retorno da dupla", complementou.
Imagens de câmera de segurança mostraram a chegada dos autores da execução de Laudemir. Assista:
ONDA DE VIOLÊNCIA 
O município da Barra de São Miguel, um dos principais destinos turísticos do Litoral Sul alagoano, teve o dia 5 de abril de 2026 marcado pela violência. Em episódios distintos, três pessoas foram assassinadas e uma sofreu tentativa de homicídio. Dois dos atentados chamaram a atenção das autoridades pelo mesmo "modus operandi": criminosos simularam ser policiais e utilizaram táticas de invasão tática para surpreender as vítimas dentro das residências que ocupavam.

O primeiro crime ocorreu na Rua José Vieira de Andrade, no Centro. Os atiradores bateram na porta da casa de Laudemir da Silva, de 48 anos. Diante do silêncio da vítima, eles invadiram o imóvel e executaram o jovem, que seria usuário de entorpecentes, enquanto ele dormia ao lado da companheira. A mulher nada sofreu.

O segundo assassinato aconteceu na Rua 16 de Setembro, no loteamento Barra Mar. João Paulo de Almeida Filho, de 23 anos, foi executado sob circunstâncias semelhantes. Ele teve a porta da casa arrombada pelos criminosos e morreu baleado.

A sequência de violência também atingiu duas mulheres em um terceiro atentado, cujas identidades delas permanecem desconhecidas. Uma não resistiu aos ferimentos e morreu no local após ser atingida por diversos disparos. Já a outra sobreviveu e foi encaminhada para uma unidade de saúde. A reportagem não teve acesso ao quadro clínico dela.

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