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Assassinato de jovem por amigos em Goiânia repete caso de Los Angeles nos anos 80

Metrópoles | 17/09/21 - 13h14 - Atualizado em 17/09/21 - 13h26
Reprodução

O assassinato brutal de Ariane Bárbara Laureano de Oliveira, de 18 anos, assustou moradores de Goiânia pela frieza do crime, cujos suspeitos são uma menina, um garoto e uma jovem transexual que se diziam “amigos” dela, além de uma menor de idade apreendida. Como contou o Metrópoles, Raíssa Nunes Borges, 19; Freya, 18; e Jeferson Cavalcante Rodrigues, 22, chamaram Ariane para comer um lanche no Setor Jaó e a buscaram em casa no dia 24/8, por volta de 20h. Por trás do passeio, estava um plano para “testar” a psicopatia de Raíssa, como ela mesma relatou à Polícia Civil de Goiás (PCGO).

Após uma semana desaparecida, a jovem foi encontrada morta em um matagal na mesma região. Os suspeitos estão presos preventivamente na Delegacia Estadual de Capturas (Decap). O caso carrega semelhanças com outro que aconteceu há 36 anos em Los Angeles, no estado da Califórnia (EUA). A estudante Michele Avila, chamada por Missy por família e amigos, era só um ano mais nova que Ariane Bárbara em outubro de 1985, quando disse a sua mãe que sairia com uma amiga, Laura Doyle.

Também premeditado, o crime teve pretexto semelhante: a jovem buscou a vítima de carro e as duas partiram para um passeio. Horas depois, Laura ligou para a mãe de Missy, Irene, e pediu para falar com ela. A mulher ficou surpresa, pois não via a filha desde a hora em que ela havia saído de casa, no bairro de Arleta, no Vale de São Fernando.

A amiga contou que havia deixado Missy com três rapazes em um Camaro azul enquanto ia abastecer e, quando voltou, não os encontrou mais. Depois de três dias de buscas, Missy foi encontrada sem vida na Floresta Nacional de Los Angeles, submersa a 20 centímetros de profundidade em um riacho, abaixo de um tronco de mais de 20 quilos. Os cabelos da menina foram cortados e a polícia constatou que ela foi espancada antes de morrer. Sem pistas, o caso permaneceu “frio” por três anos.

Até que a chave para o mistério surgiu: a adolescente Eva Chirumbolo compareceu à delegacia e confessou que Laura Doyle e uma “amiga” de infância de Missy, Karen Severson, haviam espancado e afundado a jovem no riacho, na presença dela. Os motivos teriam sido ciúmes, por Michele ser uma menina alegre e popular, e uma série de rumores espalhados por Karen a respeito da vida sexual da jovem, dizendo que ela transava com garotos comprometidos da escola, inclusive o da amiga.

Em uma ocasião, um grupo de meninas chegou a confrontar e bater em Missy diante dos boatos, em princípio, infundados. Condenadas a 23 anos e meio e 22 anos de prisão por homicídio em segundo grau, respectivamente, Karen Severson foi solta em dezembro de 2011, e Laura, no fim de 2012.

Falsa solidariedade - Um ponto que chama a atenção nas duas histórias é a proximidade dos suspeitos com as famílias das vítimas após as mortes. Conversas obtidas pelo Metrópoles mostram que Jeferson e Freya mandaram mensagens para a mãe de Ariane, a cabeleireira Eliane Laureano, com dizeres calculistas: “Meus mais sinceros pêsames. Eu amo sua filha. Ela não merecia isso” e “Oi, desculpe incomodar a senhora, Eliane. Como você está?”. No caso de Missy, Laura e Karen foram ao funeral e estiveram o tempo todo ao lado de Irene, mãe da vítima. Karen, inclusive, mudou-se para a casa da amiga para amparar a mãe dela e se dizia interessada em saber sobre o andamento das investigações.

Além disso, Laura Doyle e Karen Severson não demonstraram remorso por terem matado Michele Avila, assim como dois dos suspeitos de matarem Ariane Bárbara em Goiânia. O delegado Marcos de Oliveira Gomes, responsável pela investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), afirmou que apenas um dos três explicitou certo arrependimento.