Ciência

Astrônomos detectam pela primeira vez luz atrás de um buraco negro

Metrópoles | 30/07/21 - 22h14
Divulgação / Nasa

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês), em comunicado divulgado na última quarta (28/7), pela primeira vez na história, cientistas detectaram luz atrás de um buraco negro.

Esses corpos celestes são conhecidos por terem uma força gravitacional tão poderosa que nem mesmo a luz pode escapar. No entanto, embora os raios luminosos não possam fugir de um buraco negro, sua gravidade excessiva distorce o espaço ao seu redor, o que permite que a luz “entorte”, fazendo curva e chegando na parte de trás dele.

Justamente esse fenômeno de eco de luz permitiu aos astrônomos da ESA observar de forma inédita os raios luminosos atrás do buraco negro.

A descoberta foi publicada na revista científica Nature também na quarta (28/7) e liderada pela Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA).

Os cientistas usaram os telescópios espaciais XMM-Newton da Agência Espacial Europeia e NuSTAR da Nasa para detectar a luz presente na parte anterior do um buraco negro, que é 10 milhões de vezes mais massivo que o nosso Sol e fica a 800 milhões de anos-luz de distância da Terra, na galáxia espiral I Zwicky 18, segundo informações do site de notícias científicas Space.

Descoberta “ao acaso”

Como mostra o site especializado, o achado inédito se deu por que os astrônomos estavam estudando a corona do buraco negro, ou seja, a fonte de raio-X que costuma se irradiar da vizinhança desses corpos celestes, nos discos de poeira e gás que o circundam e o “alimentam”.

Foi então que a equipe avistou um clarão de raio-X em I Zwicky 1 que era tão intenso que parte da luz refletiu no gás caindo de volta para o buraco negro. Quando a luz refletida foi “entortada” até a parte de trás do objeto, devido à gravidade extrema, os cientistas puderam localizá-la usando os telescópios espaciais da ESA e da Nasa.

A equipe não apenas observou esse fenômeno inédito da luz, mas notaram ainda que o raio-X mudava de cor à medida que “entortava” e se movia ao redor do buraco negro, revela o Space. Ao observar a jornada da luz ao redor do corpo celeste, os pesquisadores esperam entender mais sobre o que realmente acontece nas redondezas desses vórtices gravitacionais.