Ator e dramaturgo Juca de Oliveira morre aos 91 anos

Publicado em 21/03/2026, às 09h00
Juca de Oliveira - Renato Rocha Miranda/TV Globo
Juca de Oliveira - Renato Rocha Miranda/TV Globo

Por UOL

O ator e dramaturgo Juca de Oliveira faleceu aos 91 anos, com a família confirmando a morte em nota à imprensa, após complicações de saúde que incluíam pneumonia e problemas cardíacos.

Natural de São Roque, Juca teve uma carreira de mais de seis décadas, destacando-se no teatro e na televisão, e foi um importante ativista cultural durante a ditadura militar no Brasil, enfrentando perseguições políticas que o levaram ao exílio.

Além de seu trabalho no teatro, Juca foi presidente do Sindicato dos Atores de São Paulo, onde lutou por melhorias nas condições de trabalho, e seu legado inclui papéis marcantes em novelas e peças, com seu último trabalho na TV sendo em 2017.

Resumo gerado por IA

O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos. A morte foi divulgada pela família em nota à imprensa neste sábado (21).

O artista estava em estado delicado, causado por pneumonia e problemas cardiológicos. Juca foi internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no último dia 13.

Mais de seis décadas nos palcos e na TV

O ator iniciou sua carreira no teatro após trancar a faculdade de Direito na USP. Natural de São Roque, interior de São Paulo, José Juca de Oliveira Santos desistiu de um trabalho em um banco para se dedicar aos seus estudos na Escola de Arte Dramática em São Paulo. Foi lá que conheceu a atriz Glória Menezes.

Sua primeira peça, "Frei Luis de Sousa", garantiu um convite para participar do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). No TBC atuou em espetáculos como "A Semente" e "A Morte do Caixeiro Viajante".

"Eu descobri, naquele momento, que eu podia ser um ator. Foi absolutamente genial", disse Juca de Oliveira ao Memória Globo.

Ele liderou o Teatro de Arena e enfrentou a ditadura militar. Ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, fez do espaço um polo de resistência cultural nos anos 1960.

A perseguição política forçou seu exílio na Bolívia. Com o fechamento do teatro pelos militares, Juca precisou deixar o país temporariamente.

Quando voltou ao Brasil, após ser exilado, fez sua primeira novela na TV Tupi, "Quando o Amor é Mais Forte", de 1964. Ele atuou nas primeiras cenas externas da televisão brasileira e, na emissora, trabalhou com nomes como Janete Clair, Walter George Durst e Lauro César Muniz.

Em 1968, assumiu a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo e ajudou a regulamentar a profissão. Na liderança, ele lutou pelo estabelecimento de uma quantidade máxima de tempo de gravação e pela liberação de textos 72 horas antes da gravação para memorização.

O papel do cientista Albieri, em "O Clone" (2001), foi um dos seus grandes marcos na TV. Na trama, ele é um geneticista obcecado pela clonagem humana. Ele clona o afilhado, Lucas (Murilo Benício), após a morte de seu irmão gêmeo.

O ator estrelou novelas clássicas dos anos 1960, como "Nino, O Italianinho", na qual viveu o protagonista, "O Cara Suja" e "Paixão Proibida", na TV Tupi. Atuou ainda em "Saramandaia" (1976), "Fera Ferida" (1993) e "Avenida Brasil" (2012).

O trabalho mais recente na televisão foi a novela "O Outro Lado do Paraíso", em 2017. Ele interpretou o dr. Natanael Montserrat. Juca ainda tem outros créditos recentes no cinema, como os documentários "Toquinho: Encontros e Um Violão" (2024) e "Milton Gonçalves: Além do Espetáculo" (2025).

Em 2019, estrelou a peça "Mãos Limpas", ao lado de Taumaturgo Ferreira. É autor da comédia romântica "Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia Que A Nossa", com a qual venceu o prêmio de melhor autor no Prêmio APETESP de Teatro em 1990.

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