Brasil

Atriz e cantora Bibi Ferreira morre aos 96 anos

Metrópoles | 13/02/19 - 14h01
Bibi Ferreira tinha 96 anos | William Aguiar/Reprodução

A atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira morreu, nesta quarta-feira (13/2), aos 96 anos. A artista não resistiu a um problema cardíaco. A notícia foi confirmada pela filha Tina Ferreira.

Bibi Ferreira tem longa carreira nos palcos brasileiros. Em setembro de 2018, nas redes sociais da dama dos palcos, foi anunciada a sua aposentadoria. Bibi que vinha em ensaios para um show aguardadíssimo, o repertório de Dorival Caymmi, vai se recolher dos palcos.

“Bibi tem total consciência que sempre que esteve no palco deu o melhor de si, com o maior respeito e consideração ao público. E tem consciência que já deu o que tinha de melhor. Agora, vai descansar, dentro dos limites e condições que a idade lhe permite”, dizia um trecho da nota.

A aposentadoria oficial de Bibi Ferreira interrompeu uma carreira de 77 anos. Bibi caminhou do antigo teatro, feito pelo mestre e pai Procópio Ferreira, ao contemporâneo e coleciona uma trajetória única no país. Não existe nenhuma intérprete que trilhou algo caminhou, com tanta desenvoltura pela arte, como ela nesse país. E fez tudo sempre com maestria. Da graciosa filha de um artista famoso que aprendia balé à fenomenal cantora que encantava plateias de diversas gerações e nacionalidades.

Para quem acompanhava a sua carreira, houve um misto de vazio e de alivio porque o corpo físico estava visivelmente abalado. Uma das coisas mais impressionantes de Bibi Ferreira no palco era a energia com que explodia diante da plateia. A fragilidade física quebrava essa magia e a tornava vulnerável. Foi ela mesma quem reconheceu que era melhor se recolher e sair de cena.

Bibi tinha um sacerdócio em relação ao ofício de atriz e de cantora e zelava pelo corpo-voz poupando extravagâncias. Em 2010, recebeu o ator Jones Schneider para uma entrevista no seu apartamento no Flamengo para realizar o depoimento ao projeto Mitos do Teatro Brasileiro em homenagem ao pai. Venho em passos lentos, de óculos escuros e voz comedida. Sentou-se diante à câmera, dirigiu o enquadramento, tomou uma Coca-Cola e, quando ouviu “gravando”, abriu um sorriso e rejuvenesceu como num passe de mágica.