Áudios revelam negociações entre uma intermediadora e o goleiro Bruno Fernandes para um encontro com seu filho, Bruninho, de 15 anos, que foi cancelado após o vazamento das conversas. A mulher expressou preocupação com a expectativa do adolescente e pediu que Bruno não o decepcionasse novamente.
A interlocutora afirmou que sua iniciativa foi motivada pelo amor ao menino e mencionou que a avó dele poderia ter impedido o encontro com uma medida protetiva, mas não o fez. Ela também alertou que, se o encontro não ocorresse, não haveria outra oportunidade.
A defesa de Bruno considerou a conversa ameaçadora e aconselhou o goleiro a não comparecer ao encontro, citando riscos jurídicos e pessoais. A advogada afirmou que o contato entre pai e filho foi proibido pela avó após o assassinato de Eliza Samudio, mas que Bruno tem interesse em se encontrar com o filho em condições seguras.
Áudios atribuídos a uma interlocutora da família de Eliza Samudio mostram parte das negociações entre ela e o goleiro Bruno Fernandes para viabilizar um encontro dele com o filho, Bruninho, de 15 anos. No material, ao qual a reportagem de O TEMPO teve acesso, a mulher afirma que agiu movida pelo carinho ao adolescente, garante que ele aguarda pela visita e pede que o jogador não decepcione o menino novamente. Após o vazamento da conversa, a intermediadora voltou atrás e cancelou o encontro.
LEIA TAMBÉM
Na conversa, a interlocutora garante o sigilo do encontro e do teor da conversa. A reunião iria acontecer entre ela, pai e filho. “Eu não sei nem como vou dizer isso a ele, porque está preparado para, quando sair do treino, vir para cá conversar com você. Não há intenção nenhuma no mundo de te expor, de alguém te ver. O máximo que pode acontecer é alguém te ver entrar. Pode até descobrir, depois, que você teve um encontro com teu filho; é o máximo que pode vazar. Eu vou te pedir: não decepcione, não faça isso com ele. Ele está esperando por isso desde o dia em que combinei com ele”, explica.
A mulher afirma estar agindo por amor a Bruninho e alerta que Sônia Samudio, mãe de Eliza e tutora do menino, poderia ter impedido o encontro por meio de uma medida protetiva. “Essa iniciativa que tomei foi pelo tanto que amo o Bruninho. Da minha parte, o Bruninho vai continuar vindo para cá, te esperando. Você sabe muito bem que, se a Sônia quisesse, ela teria pedido uma medida protetiva, porque você não pode se aproximar do Bruninho. Eu fiz das tripas coração para que isso acontecesse”, alerta. Ouça.
Ver essa foto no Instagram
A interlocutora também avisa que, se o encontro não ocorrer como o combinado, não haverá outra chance. “Se você já o avisou pelo Instagram que não vem, eu vou ficar com muito mais raiva de você. Tudo o que eu fiz, o Bruninho estava escutando. Para mim, qualquer possibilidade de encontro entre você e ele se encerra aqui. Eu tenho escrito e printado o que você disse: ‘qualquer dia, em qualquer lugar’. Venha a esse encontro hoje, porque eu não vou te dar mais nenhuma chance”, garante. Ela completa que, mesmo que o encontro aconteça, o menino não terá convivência com as filhas do goleiro.
“Bruninho jamais vai conviver, enquanto não tiver 18 anos, com irmã nenhuma, até porque você sempre negou publicamente que era o pai dele”, finaliza.
O que diz a defesa de Bruno
A advogada do goleiro Bruno, Mariana Migliorini, confirmou a existência do diálogo e considerou a conversa ameaçadora. Por essa razão, ela orientou que o cliente não fosse ao encontro. Por meio de nota enviada à reportagem, afirmou que o goleiro “vem sendo reiteradamente coagido a comparecer ao encontro” e que “tal comparecimento estaria condicionado a exigências absolutamente incompatíveis com as garantias legais”, representando “evidente risco jurídico e pessoal”. A defesa disse que o contato de Bruno com o filho teria sido proibido pela avó materna do adolescente após o assassinato de Eliza, e que a determinação teria sido respeitada.
O contato entre as duas partes teria sido retomado após o encontro do passaporte de Eliza. A advogada do goleiro disse ainda haver “profundo interesse dele em conversar e se entender com Bruninho, porém em condições saudáveis, sem riscos jurídicos ou interesses escusos”.
A equipe de O TEMPO entrou em contato com a interlocutora à qual os áudios são atribuídos. No entanto, a mulher negou ter feito qualquer ameaça ou tentado a intermediação do encontro. Por essa razão, a identidade dela será preservada nesta reportagem. Sônia, mãe de Eliza, também foi procurada e, até a publicação desta matéria, não havia se pronunciado. O espaço segue aberto.
LEIA MAIS
+Lidas