O Banco Central anunciou a liquidação do Will Bank, um banco digital do grupo Master, que estava sob administração especial desde novembro, devido à sua situação financeira considerada irrecuperável, resultando na interrupção de suas operações.
O Will Bank, que encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos e um prejuízo de R$ 244,7 milhões, não conseguiu concretizar uma venda que poderia ter reduzido as perdas do Fundo Garantidor de Créditos, que deve indenizar até R$ 40,6 bilhões a investidores.
A Mastercard suspendeu transações com cartões do Will Bank após o não cumprimento de obrigações financeiras, enquanto a Polícia Federal investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master, incluindo a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, por fraudes financeiras.
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master, que estava desde novembro sob regime de administração especial temporária.
LEIA TAMBÉM
O Will Bank foi preservado quando o BC anunciou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro, diante da avaliação de que naquela época havia investidores interessados em adquirir a instituição, o que acabou não se concretizando. O regime especial poderia ser mantido por até 120 dias.
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.
Antes do anúncio do Banco Central, a bandeira Mastercard decidiu parar de aceitar transações feitas via cartões emitidos pelo Will Bank depois que operações concretizadas por consumidores não foram honradas pelo banco a participantes do arranjo de pagamento.
Como mostrou a Folha, a medida visava impedir o aumento do valor devido pelo Will Bank.
Além disso, a bandeira executou garantias ligadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
No regime de administração especial temporária, as atividades do banco são preservadas, apesar de seus dirigentes perderem o mandato. No caso da liquidação, o funcionamento da instituição é interrompido, e a instituição é retirada do sistema financeiro nacional. Com o ato, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.
Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões de ativos, um prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.
Uma venda do Will Bank, como antes era esperado, teria o potencial de reduzir as perdas do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que vai pagar até R$ 250 mil a 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos garantidos emitidos pelo Master, somando um total de R$ 40,6 bilhões, na maior indenização já feita pelo fundo.
Sem uma venda, as perdas do FGC com o Master podem se elevar. O Will fechou setembro com R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e nenhum valor em depósitos à vista, como conta corrente.
Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Banco Master.
Essa etapa da investigação teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, a parentes do banqueiro e a empresários, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da Reag gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado. A instituição também foi liquidada pelo BC.
Na primeira fase da Compliance Zero, em novembro, Vorcaro foi preso sob acusação de liderar um esquema que criou carteiras falsas de crédito para inflar o patrimônio do Master e, em seguida, vender a instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília). Ele foi solto menos de duas semanas depois e segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
+Lidas