Blocos simultâneos têm tumulto, foliões prensados e grades derrubadas em São Paulo

Publicado em 08/02/2026, às 17h31
Reprodução
Reprodução

Por MARIANA ZYLBERKAN, GABRIELE KOGA E PAULO EDUARDO DIAS/FOLHAPRESS

Um tumulto ocorreu em São Paulo durante a realização de dois megablocos de Carnaval na rua da Consolação, resultando em confusão e pessoas passando mal devido ao excesso de público. A situação se agravou com a queda das grades de segurança, levando foliões a buscar refúgio em ruas adjacentes.

Os blocos, o Acadêmicos do Baixo Augusta e a estreia do DJ Calvin Harris, atraíram uma multidão significativa, gerando preocupações sobre a segurança e a capacidade do espaço. Moradores e foliões expressaram apreensão sobre a adequação do local para receber tantos participantes, especialmente após a decisão da prefeitura de realizar ambos os eventos simultaneamente.

Em resposta ao tumulto, os organizadores pediram calma e atenção à segurança do público, enquanto a Polícia Militar afirmou estar tomando medidas para garantir a ordem. Apesar do caos, não houve registros de feridos graves, mas a situação levantou questões sobre a necessidade de reconsiderar a realização de grandes eventos na área.

Resumo gerado por IA

O encontro de dois grandes blocos na mesma região no início da tarde deste domingo (8) se transformou em um princípio de confusão em São Paulo. As grades de segurança montadas para conter o publico na rua da Consolação foram derrubadas pelos foliões devido ao excesso de público.

Pela primeira vez, a rua recebeu dois megablocos que atraem milhões de foliões, o Acadêmicos do Baixo Augusta e a estreia do DJ Calvin Harris em bloco patrocinado pela marca oficial do Carnaval de São Paulo.

A confusão ocorreu próximo da concentração do bloco de Calvin Harris.,
Reportagem viu uma série de pessoas passando mal e outras gritando por ajuda dos bombeiros. Um grupo começou a escalar grades de imóveis ao redor para tentar fugir do empurra-empurra.

O estudante de administração Bernardo Andrade, 23, conta que estava na esquina da Consolação com a rua Piauí, onde estava concentrado o bloco de Calvin Harris, quando foi arrastado. "Não estava nem em pé, mas estava sendo carregado", disse o estudante, que foi ao local para ver o DJ e o cantor Natanzinho Lima. "Tentamos chegar bem perto do trio porque não dá para ouvir o som de longe", disse o estudante.

Após a queda das grades, houve empurra-empurra e a massa de pessoas fugiu para ruas transversais. A reportagem viu ao menos três pessoas sendo socorridas por bombeiros civis no meio da multidão.

Parte do público que ficou prensado tentou levantar as grades de segurança por conta própria. "Achei que fosse morrer", disse a estudante Cíntia Santos, 22, ao lado das amigas. Ela decidiu voltar para casa depois da confusão.

Diante do tumulto, a música parou, e os trios passaram a pedir para as pessoas não se empurrarem e terem cuidado com quem está passando mal. Os organizadores também pedem calma à multidão.

O bloco de Calvin Harris dividiu a Consolação com o Acadêmicos do Baixo Augusta, que costuma atrair multidão há mais de dez anos no domingo de pré-Carnaval.
A Polícia Militar afirma que há "grande concentração de foliões" e que está adotando "todas as medidas necessárias para garantir a segurança e a coordenação do público". Segundo a corporação, não há registros de feridos graves até o momento.

ESPAÇO INADEQUADO

A decisão de colocar os dois blocos no mesmo local e dia, anunciada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na semana passada, gerou apreensão tanto para foliões tradicionais da vizinhança quanto para moradores que há anos pedem o fim dos cortejos carnavalescos no local. Já havia especialmente temor de dificuldade na dispersão das multidões que ambos podem levar para o asfalto.

Nunes conversou sobre o tema com a Folha de S.Paulo e afirmou que há estrutura suficiente para garantir a ordem e a segurança. Já a patrocinadora Ambev disse seguir as regras dos órgãos competentes.

O espaço é inadequado para receber multidões, avaliou na semana passada Marta Porta, presidente Conselho Comunitário de Segurança dos bairros Consolação, Higienópolis e Pacaembu. "Com um único bloco já ficavam milhares de pessoas paradas no local de dispersão, imagine o que irá acontecer agora, com dois", diz.

Marta, que também é vice-presidente de uma associação de moradores e comerciantes da av. Paulista e entorno, diz ter sido surpreendida com o anúncio da criação da autorização de um novo megabloco na região. "Ficamos satisfeitos de termos sido chamados para a reunião com os blocos na semana passada, mas acabamos frustrados ao perceber que tudo já estava decidido sem que fôssemos consultados", diz.

"Há muito tempo nós pedimos que se procure outro local para esse megablocos, porque nossa região é muito impactada pelo trânsito e barulho desses grandes eventos que ocorrem aqui durante todo o ano", diz ela.

A rua da Consolação está em uma área em que se permite ruído de até 65 decibéis durante o dia, o que é considerado muito permissivo, ficando abaixo apenas de áreas industriais da cidade. Mas a representante dos moradores afirma que medições realizadas no ano anterior apontaram para mais de 120 decibéis.

Gostou? Compartilhe