Calor, falta de sono e desidratação podem ter desencadeado crise convulsiva de Henri Castelli no BBB

Publicado em 14/01/2026, às 17h29
Calor, falta de sono e desidratação podem ter desencadeado crise convulsiva de Henri Castelli no BBB - Reprodução / TV Globo
Calor, falta de sono e desidratação podem ter desencadeado crise convulsiva de Henri Castelli no BBB - Reprodução / TV Globo

Por Laiz Menezes / Folhapress

Henri Castelli foi hospitalizado após sofrer uma convulsão durante uma prova no BBB 26, com especialistas apontando que fatores como calor intenso e desidratação podem ter contribuído para o episódio. A convulsão, que pode afetar qualquer pessoa, é um evento súbito causado por descargas elétricas anormais no cérebro.

As convulsões podem ser desencadeadas por diversas causas, incluindo distúrbios metabólicos, abstinência de substâncias, infecções e alterações estruturais no sistema nervoso. Fatores como privação de sono e estresse físico ou emocional também são identificados como gatilhos potenciais.

Após o incidente, medidas de proteção foram recomendadas para quem presencia uma convulsão, como manter a calma e evitar que a pessoa se machuque. Caso as crises sejam recorrentes ou prolongadas, é essencial buscar atendimento médico para evitar complicações graves.

Resumo gerado por IA

O ator Henri Castelli, 47, foi levado a um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (14), após sofrer uma convulsão durante uma prova de resistência no BBB 26. Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que crises convulsivas podem ter diferentes causas, mas que calor intenso, falta de sono e desidratação são gatilhos para o quadro.

Após retornar à casa do BBB, Castelli caiu no gramado enquanto falava com os colegas e foi novamente socorrido pela equipe médica.

Segundo a neurologista Letícia Sampaio, coordenadora do Departamento Científico de Epilepsia da ABN (Academia Brasileira de Neurologia), as convulsões não estão restritas a pessoas com diagnóstico de epilepsia. É um evento súbito e inesperado provocado por uma descarga elétrica anormal no cérebro, que pode causar movimentos involuntários, alterações da consciência ou mudanças abruptas de comportamento.

Qualquer pessoa pode ter uma crise convulsiva ao longo da vida. Embora seja mais frequente em crianças e idosos, o episódio pode ocorrer em qualquer faixa etária. Entre os principais fatores que podem provocar uma convulsão estão a epilepsia, a abstinência de álcool e outras drogas, febre e infecções do sistema nervoso central.

Distúrbios metabólicos também são uma causa importante e podem desencadear o evento, como a hipoglicemia, caracterizada pela queda do açúcar no sangue, e a hiponatremia, que é a redução dos níveis de sódio no organismo. Traumatismo craniano e acidente vascular cerebral também estão entre as possíveis causas.

Outras causas citadas pela especialista incluem alterações estruturais do sistema nervoso central, como malformações, tumores ou displasias corticais. Doenças imunológicas, como encefalites autoimunes, também podem estar associadas, assim como causas genéticas.

Além das causas diretas, alguns fatores podem atuar como gatilhos para a convulsão, principalmente em pessoas que já têm predisposição. A privação de sono é o gatilho mais bem estabelecido, segundo a neurologista. Dormir pouco deixa o cérebro mais excitável e reduz o limiar convulsivo. O uso excessivo de álcool e drogas também pode precipitar crises.

Calor intenso e desidratação são outros fatores que podem ajudar a desencadear uma convulsão.

"O aumento da temperatura corporal pode tornar o cérebro mais excitável, enquanto a desidratação provoca perda de eletrólitos, especialmente sódio, alterando a condução elétrica cerebral. Situações de estresse físico ou emocional também podem favorecer o surgimento de crises, devido à liberação de hormônios que aumentam a excitabilidade neuronal."

A interrupção repentina de alguns medicamentos também pode provocar crises convulsivas, mesmo em pessoas sem histórico da condição.

De acordo com a neurologista Vanessa Gil, remédios como benzodiazepínicos, antidepressivos e analgésicos opioides precisam ser retirados de forma gradual, pois a suspensão abrupta pode deixar o cérebro mais suscetível a convulsões.

"A interrupção súbita pode desorganizar a atividade elétrica cerebral e favorecer uma crise", afirma.

Liz Rebouças, neurologista da UPA Vila Santa Catarina, gerenciada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que, na maioria dos casos de crise convulsiva, o paciente recupera a consciência espontaneamente e o episódio não traz riscos mais graves ou sequelas.

"Quando a convulsão é única e de curta duração, em geral não se trata de algo mais sério, mas ainda assim deve ser avaliada por um médico", afirma.

Se os episódios de crise convulsiva forem recorrentes ou de duração prolongada, podem, em casos raros, causar complicações e até levar à morte. "As principais complicações são hipóxia, ou seja, falta de oxigenação cerebral, e arritmias no coração, que podem, inclusive, levar a uma parada cardíaca e ao óbito. Se ela for curta, é menos grave, mas sempre merece uma avaliação médica, e se ela for recorrente ou prolongada, aumenta o risco de gravidade e os potenciais complicações."

"A maioria das crises vai durar entre 30 segundos e dois minutos, e o corpo vai se recuperar normalmente sem nenhuma sequela", acresceta Sampaio.

O que fazer em caso de crise convulsiva

Em caso de uma crise convulsiva, a principal orientação é manter a calma e proteger quem está convulsionando para evitar ferimentos. Segundo Letícia Sampaio, a pessoa deve ser colocada de lado para evitar aspiração de vômito ou saliva, e objetos perigosos ao redor devem ser afastados.

A neurologista alerta que não se deve colocar objetos ou os dedos na boca da pessoa, numa tentativa de "segurar a língua", já que isso é um mito e pode causar mordidas, fraturas dentárias ou engasgamento.

Também não é indicado segurar ou tentar imobilizar a pessoa durante a convulsão, nem jogar água, abanar, gritar ou tentar acordá-la, pois essas ações não interrompem a crise e podem provocar lesões.

Outra recomendação é não oferecer água, alimentos ou medicamentos enquanto a crise estiver acontecendo. Também é importante observar o tempo de duração da crise. Se a convulsão durar mais de cinco minutos, ocorrer em sequência ou for a primeira da vida, o atendimento de emergência deve ser acionado. Após o episódio, a pessoa pode ficar confusa ou sonolenta e não deve ser deixada sozinha até se recuperar totalmente.

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