Candidato com nanismo é alvo de ataques ao reprovar em teste para delegado

Publicado em 10/03/2026, às 08h55
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Por CNN Brasil

Matheus Menezes Matos, candidato com nanismo, foi reprovado em um concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais após não conseguir realizar um salto de 1,65 m, gerando polêmica e ataques pessoais contra ele e sua família.

A Instituição Nacional de Nanismo criticou a exigência do salto, afirmando que não considerou a condição física de Matheus, e destacou que avaliações para candidatos com deficiência devem ser individualizadas e adaptadas.

A Polícia Civil de Minas Gerais defendeu a necessidade dos testes físicos para a função, afirmando que são essenciais para as atividades do cargo, enquanto a defesa de Matheus planeja tomar medidas judiciais contra os ataques sofridos.

Resumo gerado por IA

O caso de Matheus Menezes Matos, candidato com nanismo reprovado em um concurso público para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, ganhou novos capítulos. Segundo a defesa do homem, ele foi alvo de diversos comentários ofensivos e ataques pessoais nos últimos dias.

A reprovação de Matheus ocorreu durante o TAF (Teste de Aptidão Física), em uma prova que exigia um salto, de impulsão horizontal, de no mínimo 1,65 m.

Em nota publicada nas redes sociais, a advogada Késia Oliveira, representante legal do homem, afirmou que o debate público ultrapassou os limites do respeito e da legalidade. "Matheus e sua família passaram a ser alvos de comentário ofensivos, ataques pessoais e manifestações que configuram, em tese, crimes contra a honra, além de possíveis condutas discriminatórias".

Ainda de acordo com a defesa, as manifestações criminosas foram registradas e devem ser submetidas às medidas judiciais cabíveis. O objetivo seria responsabilizar os autores das condutas.

Entenda o caso

Matheus Menezes Matos, de 25 anos, foi desclassificado de um concurso público para Delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, após não conseguir realizar um salto durante o TAF (Teste de Aptidão Física).

De acordo com uma nota da Instituição Nacional de Nanismo, publicada também no perfil de Matheus, o candidato foi submetido à exigência de salto mínimo de 1,65 metro na prova de impulsão horizontal, parâmetro incompatível com sua condição física.

"No caso de candidatos com deficiência, a TAF deve observar avaliação individualizada, compatibilidade entre os exercícios exigidos e a deficiência apresentada, bem como a adoção de critérios diferenciados ou substituição de provas quando necessário, preservando-se a finalidade do exame", diz a publicação.

O que diz a PCMG

A PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais), por meio da Academia de Polícia Civil (ACADEPOL), e em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) disse em nota que o concurso previa 54 vagas para o cargo, sendo que 10% dessas vagas eram destinadas a candidatos PCD que tiveram a sua condição física comprovada de acordo com a legislação vigente.

De acordo com a PCMG, o candidato em questão se inscreveu no concurso público para a carreira de Delegado de Polícia Substituto, Edital 01/2024, sendo aprovado nas provas de conhecimentos objetiva, dissertativa, oral e exames biomédicos. Contudo, ele foi reprovado nos exames biofísicos.

Segundo a polícia, os testes físicos previstos no edital são essenciais para as atividades práticas do cargo de Investigador de Polícia, uma vez que frequentemente exige: "Perseguir suspeitos; superar obstáculos físicos em locais de difícil acesso e participar de operações policiais que requerem mobilidade, agilidade e resistência física".

"A aferição da capacidade física do candidato, nomeado no certame como Exames Biofísicos, não constitui critério inovador do edital, visto que a mencionada Lei Orgânica da PCMG prevê que a aptidão física é necessária para a qualificação do Policial", argumenta a instituição.

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