O uso de versões irregulares de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidas popularmente como “Mounjaro do Paraguai”, tem crescido no Brasil e acende um alerta importante para a saúde pública. Vendidas no mercado paralelo, essas canetas são comercializadas sem registro na Anvisa, sem prescrição médica e sem qualquer garantia de composição, dose ou segurança.
Segundo o médico Djairo Araújo, especialista em Nutrologia e Medicina Esportiva, o risco vai muito além da ilegalidade. “Muitos pacientes acreditam estar usando a mesma medicação, apenas mais barata. Isso é um erro perigoso. Não existe equivalência segura entre um medicamento aprovado e uma substância sem controle sanitário”, afirma.
Medicamentos como tirzepatida e semaglutida passaram por anos de estudos clínicos rigorosos antes de serem aprovados por agências regulatórias como FDA, EMA e Anvisa. Já as versões clandestinas não oferecem qualquer garantia de pureza, esterilidade, armazenamento adequado ou ausência de contaminantes — fatores críticos em medicamentos injetáveis.
Entre os principais riscos associados ao uso dessas canetas irregulares estão infecções locais e sistêmicas, reações alérgicas graves, hipoglicemia, náuseas intensas, vômitos persistentes, desidratação, pancreatite, falha terapêutica e interações medicamentosas perigosas.
A Anvisa exige testes de qualidade, estudos clínicos e rastreabilidade dos lotes justamente para proteger a população. “Nada disso existe no mercado paralelo. Quando algo dá errado, não há como identificar a origem do problema ou interromper a circulação do produto”, explica o especialista.
Apreensões recentes realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal evidenciam a dimensão do problema, mas, do ponto de vista médico, o maior perigo é o risco biológico e metabólico imposto ao paciente. “O maior risco não é ser pego com um produto ilegal, e sim sofrer uma complicação grave por algo que nunca deveria ter sido injetado no corpo”, reforça Djairo.
Especialistas são unânimes ao afirmar que o tratamento da obesidade deve ser feito com acompanhamento médico, exames laboratoriais e prescrição adequada.
“Medicamentos modernos são ferramentas importantes, mas fora da ciência e da regulação, não são tratamento — são aposta”, conclui o médico.