Planejamento e monitoramento são aliados para aproveitar o feriado com segurança
O Carnaval é sinônimo de calor intenso, longas caminhadas, alteração da rotina alimentar e, muitas vezes, consumo de bebida alcoólica. Para pessoas com diabetes, esses fatores podem provocar oscilações importantes da glicemia, aumentando o risco de hipoglicemia, hiperglicemia e desidratação.
LEIA TAMBÉM
A boa notícia é que é possível curtir o Carnaval mesmo com a doença. Com planejamento, monitoramento da glicemia e alguns cuidados simples, dá para aproveitar blocos, desfiles ou o descanso do feriado sem comprometer a saúde.
Pensando nisso, a Dra. Thaisa Helena de Paula, endocrinologista do Dr.consulta, ajuda a entender os principais riscos do Carnaval para pessoas com diabetes e como manter o controle glicêmico durante a folia. Confira!
Durante o Carnaval, é comum ficar muitas horas sem comer, aumentar o gasto energético, consumir álcool e reduzir a ingestão de água. Essa combinação favorece tanto quedas bruscas de glicose (hipoglicemia) quanto elevações da glicemia, principalmente em pessoas que usam insulina ou medicamentos hipoglicemiantes.
Pessoas diabéticas podem consumir bebidas alcoólicas, mas com cautela. O álcool interfere no metabolismo da glicose e pode causar hipoglicemia tardia, principalmente quando ingerido em jejum. Por isso, há cuidados essenciais, tais como:
O álcool reduz a capacidade do fígado de liberar glicose no sangue. Por isso, a hipoglicemia pode surgir entre 6 e 24 horas após o consumo, inclusive durante o sono. Além disso, os sintomas podem ser confundidos com embriaguez, atrasando o socorro. Em pessoas com diabetes tipo 1, essa combinação pode evoluir para cetoacidose diabética.
Regra de ouro: álcool nunca deve substituir refeições.

Ficar sem comer por muito tempo é um dos principais fatores de risco para hipoglicemia durante a folia. Pessoas com diabetes podem optar por:
Evite exagerar em alimentos muito gordurosos ou ricos em açúcar, comuns em festas de rua. O foco não é restrição, e sim regularidade alimentar.
Mesmo fora da rotina, medir a glicemia continua sendo essencial. Isso deve ser feito:
Se você usa sensor de glicose, fique atento aos alarmes e tendências. Tenha sempre um carboidrato de ação rápida para emergências.
Quem usa insulina ou medicamentos para diabetes deve se organizar antes de sair:
O calor pode reduzir a eficácia da insulina quando armazenada de forma inadequada.
Ter diabetes não significa ficar de fora do Carnaval. Significa planejar, observar o corpo e respeitar limites. Com alimentação regular, hidratação adequada, controle glicêmico e uso correto dos medicamentos, é possível aproveitar a folia sem intercorrências.
Por Hiorran Santos
+Lidas