Renato Casagrande (PSB) foi eleito governador do Espírito Santo no primeiro turno, neste domingo (7), segundo projeção do Datafolha.
Renato Casagrande (PSB) foi eleito governador do Espírito Santo no primeiro turno, neste domingo (7), segundo projeção do Datafolha. Ele volta a ocupar o Palácio Anchieta, onde esteve de 2011 a 2014, antes de ser sucedido pelo atual governador, Paulo Hartung (MDB).
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Sem o principal adversário na corrida, já que Hartung decidiu não tentar a reeleição, Casagrande não teve dificuldade para se eleger. O emedebista, que defende a renovação e já governou o estado em outros dois mandatos, de 2003 a 2010, resolveu encerrar a carreira política.
Foi em uma aliança com Hartung que Casagrande se elegeu pela primeira vez, mas os políticos romperam em 2014 e foram adversários na eleição daquele ano -o pessebista perdeu no primeiro turno.
Antes de ser eleito governador pela primeira vez, Casagrande ocupou mandatos de senador, deputado federal e estadual. Neste ano, venceu amparado em uma das maiores coligações desta eleição, com 18 partidos, inclusive o PSDB, embora o PSB tenha a orientação de coligar com siglas de centro-esquerda. Segundo o governador eleito, os partidos não irão cobrar pelo apoio.
"Não tem nenhum compromisso com eles. Eles não me pediram nada, é bom ser bastante franco e sincero nisso. Vou montar uma equipe em que considerarei os partidos, mas com perfil técnico e político", disse em entrevista à Folha de S.Paulo em setembro.
Durante a campanha, Casagrande afirmou que suas prioridades são saúde e segurança. O estado foi marcado em 2017 por uma greve da Polícia Militar que deixou 227 mortos em fevereiro, alta de 134% em relação ao mês anterior.
O governador eleito prometeu reativar as forças policiais especializadas, como o BME (Batalhão de Missões Especiais) e a Rotam, que foram extintos após a greve. Também afirmou que irá reverter o que ficar caracterizado como perseguição política na punição administrativa aos policiais -23 foram expulsos da corporação.
Casagrande também se comprometeu com um robusto plano de investimento, por meio de recursos próprios, parceria com o setor privado e financiamento.
Sobre ter sido mencionado na delação da Odebrecht, Casagrande diz que a doação feita na campanha de 2010 foi legal e direcionada à direção nacional do partido.
No campo da educação, a reportagem questionou Casagrande sobre o futuro do projeto Escola Viva - que colocou 20 mil alunos estudando em tempo integral. Ele não cravou quantas novas escolas do modelo devem ser implementadas, nem se vai manter o nome do projeto - durante a campanha, o socialista disse que "Escola Viva é nome do marketing".
"A construção de novas escolas será avaliada de acordo com a demanda e com os recursos disponíveis em caixa. Vamos priorizar a expansão do ensino integral, com amplo diálogo com a comunidade, garantindo o atendimento das demandas educacionais nas diferentes regiões. Esse processo não pode gerar prejuízos aos capixabas, com a extinção de turmas e o fechamento de escolas, como vem acontecendo", disse, alfinetando Hartung.
Na visão do novo governador, os últimos quatro anos foram de expressiva diminuição dos investimentos em educação e aumento absurdo da evasão escolar. "Já na saúde é necessário ampliar a oferta e qualidade dos serviços e consolidar o conceito de redes de atenção regionalizadas", disse.
Casagrande tem 57 anos. Foi governador capixaba de 2011 a 2014, senador, deputado federal, vice-governador de 1995 a 1999 e deputado estadual. Formado em engenharia florestal e em direito, estava na presidência da Fundação João Mangabeira, ligada ao PSB. Na eleição para o governo em 2010, foi eleito com 82,3% dos votos -o segundo maior percentual do país entre governadores.
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