Caso do ET de Varginha: farsa ou verdade? Leia opiniões de ufólogos e entusiastas

Publicado em 19/01/2026, às 09h33
Reprodução/Youtube; TV Globo; Instagram
Reprodução/Youtube; TV Globo; Instagram

Por Redação

Em 20 de janeiro de 1996, três mulheres avistaram uma suposta criatura extraterrestre em Varginha, Minas Gerais, gerando um dos incidentes ufológicos mais debatidos do Brasil, com alegações de acobertamento militar e avistamentos de OVNIs na região.

Apesar de décadas de investigações e relatos de testemunhas, a veracidade do caso ainda é contestada, com alguns ufólogos defendendo a existência de um fenômeno inexplicável, enquanto outros consideram que as evidências são inconclusivas e podem ter sido fabricadas.

Pesquisadores continuam a investigar o caso, com a necessidade de maior transparência por parte das autoridades, enquanto o incidente permanece como um dos maiores mistérios da ufologia, atraindo interesse internacional e gerando novas teorias e relatos ao longo dos anos.

Resumo gerado por IA

Trinta anos atrás, na tarde de 20 de janeiro de 1996, Kátia Xavier e as irmãs Liliane e Valquíria Silva avistaram uma "criatura de outro mundo" num terreno baldio na cidade de Varginha, no Sul de Minas Gerais.

O episódio germinou, de acordo com a narrativa dos que defendem que o caso foi real: hospitais foram fechados por militares, relatos de ovnis sobrevoando pastos por 40 minutos e supostas gravações do extraterrestre tornaram o caso do ET de Varginha o incidente ufológico mais importante do Brasil e, talvez, de todo o mundo.

Porém, mesmo passadas três décadas, ainda restam muitas dúvidas, mesmo dentro da comunidade ufológica, sobre o que teria acontecido naquela tarde. Todos confirmam: algo ocorreu, mas nem todos creem se tratar de um alienígena — muito menos de dois. Ou três.

Afinal, o ET de Varginha realmente existiu ou se trata de uma farsa que atravessou três décadas?

O PAGE NOT FOUND reúne abaixo a opinião de ufólogos e entusiastas da vida fora da Terra, de dentro e fora do país, sobre o tão famoso ET de Varginha:

João Marcelo Marques Rios, ufólogo e pesquisador de campo

“O caso Varginha é fascinante, um dos principais casos da ufologia mundial. Mas há perguntas sem respostas e pontas soltas. O ponto mais extraordinário é que duas criaturas teriam sido capturadas, com acobertamento por parte do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar de Minas Gerais e do Exército Brasileiro. Essa crença sempre se sustentou em três depoimentos gravados. Um áudio do soldado bombeiro Robson, já falecido, e dois vídeos, de um soldado e de um Cabo do Exército. Estes últimos serviam na Escola de Sargentos das Armas em Três Corações. Depois ficou demonstrado que foram depoimentos ensaiados, mediante um enredo forjado. Portanto, para mim o caso não é uma farsa, porém com seu ponto alto irreal, fictício, por se tratarem de depoimentos inconfiáveis”.

Marco Antonio Petit, membro fundador e presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU)

Marco Antonio Petit investiga o caso desde 1996, estando ao lado de figuras como Ubirajara Rodrigues, Vitório Pacaccini e militares de alta patente discutindo a existência dos fenômenos ufológicos.

Na sua opinião, o exército brasileiro encobre a verdade sobre a queda do UFO, “a captura de pelo menos parte de sua tripulação e transporte para fora do estado de Minas Gerais”. O seu livro, “Varginha - Toda a verdade revelada” foi usado em denúncia contra o exército brasileiro no Ministério da Defesa em 2015.

“É claro que diante de minha experiência de quase 30 anos estudando o caso, encontrando testemunhas civis e militares, não tenho dúvida da veracidade do caso dentro de sua natureza ufológica”.

Sixto Paz Wells, escritor e ufólogo peruano

Importante ufólogo peruano, Sixto Paz Wells acredita que, baseado em experiências anteriores, a nave em que estava a tripulação do ET de Varginha foi atiginda não por militares: “existem naves extraterrestres que estão cuidando do planeta Terra daqueles que não vêm com boas intenções”.

Ele cita o caso do Chile, em 1998 — dois anos depois do incidente em Varginha — em que um OVNI teria caído em uma montanha na comuna de Paihuano em 7 de outubro.

Apelidado de “Roswell Chileno”, o evento ocorreu em plena luz do dia, sendo visto por diversos moradores locais; no entanto, ao chegarem ao local — dois dias depois — nada foi encontrado.

Ele diz que, normalmente, as naves que caem contém “variedade de androides biológicos usados ​​justamente por civilizações mal-intencionadas ou sem autorização (para estar na Terra) ”.

Pedro Ramírez, ufólogo mexicano

"É autêntico. Algo realmente aconteceu lá. É um dos casos mais importantes da ufologia. Os depoimentos e a mobilização da polícia militar foram reais."

Thiago Luiz Ticchetti, editor da revista UFO e Diretor Nacional da MUFON
Para Ticchetti, o caso de Varginha é real, porém, ele não pode confirmar se a criatura vista era, de fato, um extraterrestre.

Para ele, a base do incidente é firme: testemunhas, ações militares e documentos militares obtidos por ufólogos dão liga ao incidente. Das três mulheres, Katia Liliane e Valquíria que, mesmo ao longo dos anos, mantiveram a coerência de seu depoimento ao depoimento do Dr Italo Venturelli, que afirmou ter visto a filmagem da criatura, ele afirma “algo muito fora do normal aconteceu em Varginha”.

A falta de consistência nas versões oficiais também fortalece o incidente: “Autoridades apresentaram versões conflitantes ao longo do tempo: ora nada aconteceu, ora houve apenas exercícios militares, ora um animal exótico, ora um casal de anões grávidos, ora uma confusão visual. Em casos reais de boatos, as versões oficiais tendem a ser claras e consistentes — em Varginha, ocorreu exatamente o oposto”.

A resistência do caso à passagem de tempo é um dos grandes trunfos, para Ticchetti, sobre sua veracidade, confira: “Por fim, o Caso Varginha é real porque resistiu ao tempo. As principais testemunhas continuam afirmando o que viram 30 anos atrás. Pelo contrário: novos relatos, novos documentos e novas conexões continuam emergindo.

Negar Varginha hoje não é uma posição cética — é uma posição ideológica. A investigação ufológica séria não afirma saber exatamente o que eram aquelas criaturas ou de onde vieram, mas sustenta, com base em evidências, que algo extraordinário, não explicado e não humano ocorreu.

E enquanto não houver transparência total, abertura de arquivos e depoimentos oficiais sob juramento, o Caso ET de Varginha continuará sendo não apenas um dos maiores mistérios da ufologia mundial, mas também um dos episódios mais mal explicados da história recente do Brasil”.

Fernanda Pires, Diretora de Investigações Internacionais da MUFON Global

Para Fernanda, a pergunta “o Caso Varginha é farsa ou verdade?” pode parecer simples, mas sua resposta está longe de ser trivial, pois “envolve múltiplas testemunhas, evidências indiretas, documentos, movimentação militar e relatos consistentes ao longo de décadas”.

Se fosse apenas um boato, o assunto teria colapsado ainda em 1996: “Estamos falando de algo que atravessou 30 anos, gerou pesquisas, reportagens, documentários internacionais e depoimentos de pessoas que nunca lucraram com isso e que, ao contrário, enfrentaram estigma, medo e silêncio”.

Ela lista, então, cinco elementos que tornam o incidente em Varginha incompatível com uma “história inventada”: (1) múltiplas testemunhas independentes, com perfis distintos, em locais e horários diferentes, relatando aspectos convergentes; (2) movimentação militar documentada, envolvendo unidades distintas e de diferentes esferas; (3) coerência temporal entre os eventos; (4) ausência total de benefício pessoal das testemunhas, que, ao contrário, sofreram estigma, medo, silêncio e até retaliações; (5) persistência do caso por três décadas, com interesse internacional, investigação técnica e desdobramentos contemporâneos.

“O termo “farsa” pressupõe planejamento, intenção, ganho e manipulação. E, até onde o meu conhecimento permite, nada disso existiu em Varginha”, diz.

Ela observa a importância de reconhecer que há pessoas que defendem interpretações distintas e outras que, com o passar do tempo reformularam suas posições, seja por convicções pessoais, crenças, experiências próprias ou pela forma como organizaram seu pensamento ao longo dos anos. No que diz respeito ao âmbito pessoal ou privado, isso também deve ser respeitado.

“Contudo, a ciência trabalha com graus de evidência, margens de incerteza e com aquilo que ainda não pode ser descartado. No caso de Varginha, diversas hipóteses foram enfraquecidas ao longo dos anos, outras confirmadas e outras ainda permanecem em aberto”.

Ela conclui: “Portanto, não vejo Varginha como um folclore nem como um hoax, mas como um caso real e inacabado que merece investigação séria e respeito com os investigadores e testemunhas. Ele é um dos eventos mais consistentes da história ufológica mundial e se mantém vivo não por mito, mas porque há variáveis ali que nenhum cético conseguiu resolver satisfatoriamente até hoje. O mais adequado, ao menos até o momento, é tratá-lo como um evento de investigação aberta, que exige cautela, seriedade e respeito metodológico.”

Vitório Pacaccini, um dos principais investigadores do caso em Varginha

“O Incidente em Varginha é verdadeiro pelo conjunto de testemunhas civis e militares; pelo avistamento dos seres extraterrestres por testemunhas que já informaram os detalhes; por todo o entendimento por nossa parte, como as operações ocorreram (logística, mais tempos e movimentos); por termos descoberto quem foram os militares que comandaram e participaram das operações.”

Ubirajara Rodrigues, primeiro grande divulgador do caso do ET de Varginha
Uma das grandes reviravoltas da série documental dos Estúdios Globo — em parceria com a EPTV — “Mistério em Varginha“, é o depoimento de Ubirajara Rodrigues, ufólogo e advogado.

Ele ficou conhecido como principal responsável pela projeção do caso ET de Varginha. Porém, atualmente, ele mudou de lado: “Não acredito em mais nada”.

Diferente de outros depoimentos, Rodrigues não acredita mais nem que qualquer coisa paranormal tenha acontecido em Varginha. Não só isso, ele se arrepende de ter falado para as mulheres — Katia, Liliane e Valquíria — que o que teriam visto seria um ser extraterrestre: "Cometi o grande erro que os ufólogos cometem. Eu disse a elas que o que elas avistaram, a ufologia, que é um estudo assim, assim, assado, acredita que sejam seres de outros planetas".

Ubirajara vê que a passagem do tempo foi importante para a mudança de sua opinião: “Não cheguei a essa conclusão de uma hora para outra. Ao contrário. São praticamente 30 anos de reflexão”.

Ele questiona não só o depoimento das três mulheres, que acredita, também, ter influenciado com suas crenças, mas também o depoimento dos militares: “"Eu acho que foram depoimentos induzidos, que foram depoimentos fabricados, que foram artificialmente, segundo a crença da ufologia, levados a dizer o que dizem”.

“Há dezenas de depoimentos de pessoas de diferentes níveis socioculturais, mas eles não são, de maneira alguma, prova de que em Varginha tenha acontecido algo envolvendo uma nave espacial de outro planeta. Não há provas nem indícios disso”.

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