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Caso nº 1 pode ter surgido no laboratório de Wuhan, diz cientista da OMS

Metrópoles | 12/08/21 - 20h11
Wuhan Central Hospital

O cientista Peter Ben Embarek, chefe da missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que investiga a origem do novo coronavírus, afirmou, nesta quinta-feira (12/8), que o primeiro paciente da Covid-19 do mundo pode ter sido infectado enquanto trabalhava no laboratório de alta segurança de Wuhan, na China.

Em entrevista ao canal dinamarquês TV2, o cientista – que, inicialmente, havia se posicionado contra essa hipótese – enfatizou que os investigadores da OMS não encontraram nenhuma evidência direta sobre isso. No entanto, admitiu que ele próprio suspeita de transmissão no local, pois pesquisas com morcegos contaminados por coronavírus eram feitas no local.

“Se ainda acho que devemos investigar a hipótese de um vazamento de laboratório, é por várias razões diferentes. Uma delas é a forma como o governo chinês tem se comportado. Eles tentaram suprimir todas as pesquisas na área. Não sabemos se é porque eles apenas querem tentar controlar a história, ou se é porque têm algo a esconder”, afirmou.

Embarek contou que a equipe da OMS descobriu pelo menos 13 variantes do vírus Sars-CoV-2 circulando em Wuhan em dezembro de 2019, o que sugere que o vírus já estaria em desenvolvimento há algum tempo. De acordo com ele, no mesmo mês, até mil pessoas já estariam infectadas na província chinesa. O número é muito superior ao informado pela China, que indicava apenas 174 casos graves da doença no período.

Mudança do laboratório

Outro fato que contribui para a suspeita do cientista é que o laboratório do Instituto de Virologia de Wuhan foi transferido em dezembro de 2019 para um endereço a apenas 100 metros do mercado de Wuhan, onde o primeiro caso de Covid-19 foi registrado. Segundo Embarek, mover a coleção de vírus e as amostras de um lugar para outro “é sempre um elemento perturbador no fluxo de trabalho diário de um laboratório, então em algum momento também será interessante olhar para aquele período e este laboratório”.

“É interessante que o laboratório mudou em 2 de dezembro de 2019”, disse Embarek. “Este é o período em que tudo começou, e você sabe que quando você muda um laboratório, isso atrapalha tudo”, completou. Durante a visita à instituição, a equipe da OMS não teve permissão para olhar os documentos ou livros do local. “Fizemos uma apresentação e depois conversamos e fizemos as perguntas que queríamos fazer, mas não conseguimos examinar nenhuma documentação”, lembrou.