Caso Quitéria: acusada de mandar matar irmã é absolvida em júri; MPAL vai recorrer

Publicado em 09/04/2026, às 18h51
Claudemir Mota/MPAL
Claudemir Mota/MPAL

Por TNH1

Luciana Pinheiro foi absolvida pelo júri popular da acusação de ser a mandante do assassinato de sua irmã, Quitéria Maria Lins Pinheiro, ocorrido em 2012 em Maceió, após um novo julgamento determinado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.

O Ministério Público de Alagoas anunciou que recorrerá da decisão, enquanto testemunhas relataram detalhes sobre o crime, incluindo a presença de Klinger, filho da ré, na cena do assassinato.

Quitéria foi morta por um executor contratado por Klinger, que alegou que a motivação do crime estava relacionada a uma dívida da mãe dele com a vítima, e a polícia confirmou que a mãe de Klinger foi a autora intelectual do crime.

Resumo gerado por IA

Acusada de ser a autora intelectual do assassinato da própria irmã, Luciana Pinheiro foi absolvida pelo júri popular, no começo da noite desta quinta-feira, 09. O julgamento começou pela manhã no Salão do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital. A servidora pública Quitéria Maria Lins Pinheiro foi morta a tiros no ano de 2012, em Maceió.

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) informou que vai recorrer da decisão do júri. O órgão ministerial foi representado na acusação do caso pelo promotor Antônio Vilas Boas. O julgamento ocorreu após o recurso de apelação do MPAL ser acolhido pelo Tribunal de Justiça (TJAL), que determinou que ela fosse submetida a um novo julgamento.

Duas irmãs da vítima e da ré, além de outras testemunhas, foram ouvidas nesta quinta.

Irmã esteve na casa de Quitéria no dia do crime

Primeira testemunha ouvida pelas autoridades, uma irmã da vítima e da ré disse em depoimento que esteve na residência horas antes da morte de Quitéria. "Eu também ia ser morta. Eu saí de lá no dia do crime (...) A minha irmã era tudo de bom, morei com ela cerca de 50 anos. Ela, inclusive, criou os três filhos dela, pagava o plano de saúde de todos eles. Ela não era nem uma tia, era uma mãe", disse.

Ainda em depoimento, a testemunha contou que encontrou os dois executores do crime na residência da vítima. Um deles, Klinger Lins Pinheiro Dias Gomes, é filho da suposta mandante. "Por pouco me livrei, acredito que ia morrer também", completou a depoente.

Já a segunda testemunha, também irmã de Quitéria e Luciana, afirmou que assistia a um programa de televisão quando recebeu a notícia do assassinato, em um suposto assalto.

A mulher ainda contou que, antes do crime, a primeira testemunha chegou à casa dela dizendo que havia encontrado Klinger e o comparsa, Mustafá Rodrigues do Nascimento, na residência da vítima. Segundo os relatos, eles estariam discutindo. "No primeiro momento, com o impacto, não relacionei ao que haviam me dito. Relutei, mas acabei indo. Mas, quando cheguei lá, vi um monte de viaturas", disse.

O caso

Quitéria Pinheiro foi assassinada na noite de 12 de agosto de 2012, dentro de casa, no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió, por Mustafá Rodrigues Nascimento, companheiro de Exército de Klinger Pinheiro, 20 anos, ambos soldados. Sobrinho da vítima, Klinger confessou ao delegado Cícero Lima ter contratado Mustafá pelo valor de R$ 1.500 para matar a tia mais velha.

A motivação, pelo apurado e de acordo com o depoimento, seria uma dívida de R$ 5 mil da mãe dele com a vítima. Um outro amigo de Klinger, também do Exército, teria ido com os dois à casa de Quitéria, mas, segundo seu depoimento, não sabia que seria para matá-la, pois Klinger disse que precisava ir à casa da tia pegar umas roupas e estaria dentro do carro na hora dos disparos. Ele chegou a ser julgado, em outubro de 2016, mas foi considerado inocente e absolvido.

A versão de Klinger dava conta de que ele teria ido pagar o débito em cheques, mas a tia teria se recusado a receber, o que teria motivado uma discussão que culminou no assassinato. No entanto, a investigação da polícia apontou que o grupo chegou à casa de Quitéria em um veículo EcoSport na cor preta, chamaram pela vítima, entraram e, no jardim, já atiraram contra ela.

A polícia confirmou que a mãe de Klinger é a autora intelectual sendo o modus operandi (contratação do executor, chegada à casa e execução) montado pelo filho dela.

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