Nordeste

Ceará teve 12 casos de tipos mais brandos de coronavírus em 2019

Diário do Nordeste | 31/01/20 - 15h33
Divulgação

O Ceará registrou 12 casos de síndrome respiratória aguda grave causados por coronavírus em 2019, de acordo com o último boletim epidemiológico sobre a influenza, divulgado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). No entanto, os vírus causadores da doença eram diferentes do novo tipo 2019-nCoV, responsável pelo surto na China e com um caso suspeito no Estado, já que apresentavam baixo grau de transmissibilidade e menor repercussão sintomática no paciente.

O presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI), Guilherme Henn, explica que, em geral, os coronavírus infectam primeiramente animais mamíferos, répteis ou aves, por exemplo, mas ao sofrerem mutação, podem contagiar também seres humanos. Conforme o especialista, o vírus já circula no País antes mesmo do alerta mundial recente, sendo causadores de infecções esporádicas como as registradas no Ceará. O 2019-nCoV, porém, demanda maior preocupação.

"Em todo canto tem coronavírus, mas como eles circulam há muito tempo, a população já tem uma certa imunidade de base contra eles. O atual vírus tem uma capacidade de transmissibilidade e agressividade maiores, e a população ainda não está preparada", alerta o médico.

Já a médica infectologista da Sesa, Tânia Mara Coelho, reforça que a família do coronavírus tem algumas cepas mutantes. "Esse vírus de agora é uma cepa nova, de uma forma diferente. Ainda estamos aprendendo com ele. Parece muito com a influenza, mas a gente está se atualizando, junto ao Ministério da Saúde, para ter mais informações", diz.

Sobre os casos do ano passado, a especialista ressalta que não devem ter tido gravidade. Conforme o mesmo boletim, nenhum óbito por coronavírus foi registrado no Ceará, em 2019. Já os vírus causadores da influenza vitimaram 44 pessoas. Mais 10 pessoas morreram em decorrência de "outros vírus respiratórios".

Segundo o Ministério da Saúde, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias de leves a moderadas, semelhantes a resfriados comuns. Outros podem resultar em doenças graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), identificada em 2002, e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), em 2012. Ainda não há medicação específica ou vacina para o 2019-nCoV.