Céu vermelho na Austrália viraliza após ciclone; entenda o fenômeno

Publicado em 30/03/2026, às 14h09
Céu vermelho na Austrália viraliza após ciclone - Reprodução / Instagram
Céu vermelho na Austrália viraliza após ciclone - Reprodução / Instagram

Por g1

Após a passagem do ciclone tropical Narelle, o céu da Austrália Ocidental foi transformado em um espetáculo vermelho devido à poeira levantada, criando uma névoa que alterou a paisagem local. Esse fenômeno impressionante gerou reações nas redes sociais, onde imagens virais mostraram a transformação do céu e do mar.

A coloração avermelhada é resultado da oxidação de rochas ricas em ferro, um processo que ocorre em ambientes quentes e secos, como o interior australiano. Ventos fortes do ciclone levantaram essa poeira, que ao interagir com a luz solar, fez com que os tons vermelhos e laranjas predominassem.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA destacou que a antiguidade dos solos australianos, que não foram renovados por eras glaciais, contribui para a acumulação de óxidos de ferro. O fenômeno é um exemplo de como condições climáticas e geológicas podem criar efeitos visuais impressionantes na natureza.

Resumo gerado por IA

Imagens virais nas redes sociais mostram o céu da Austrália completamente vermelho. Não é IA e nem filtro: o fenômeno foi registrado após a passagem do ciclone tropical Narelle.

Na sexta-feira (27), o ciclone passou pela região de Shark Bay, na Austrália Ocidental, e levantou grandes quantidades de poeira do solo, espalhando esse material pela atmosfera e formando uma espécie de névoa avermelhada.

O efeito impressiona porque transforma completamente a paisagem: o céu, o mar e até as construções passam a refletir tons intensos de vermelho e laranja.

À primeira vista, as imagens podem parecer editadas — mas a explicação está na combinação entre o clima e a geologia da região.

Por que isso aconteceu?

Grande parte do solo australiano é rica em ferro. Em ambientes quentes e secos, como o interior do país, esse material passa por um processo de oxidação ao longo de milhões de anos — basicamente, as rochas “enferrujam”, formando óxidos de ferro que têm coloração avermelhada.

"A Austrália possui um ambiente perfeito, quente e seco, para uma forma específica de intemperismo químico chamada oxidação. Isso ocorre em rochas com alto teor de ferro. Nesse tipo de ambiente, essas rochas começam a enferrujar. À medida que a ferrugem se expande, enfraquece a rocha e contribui para sua fragmentação. Os óxidos produzidos por esse processo conferem ao solo sua tonalidade avermelhada", publicou Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

Quando ventos muito fortes, como os de um ciclone, levantam essa poeira, essas partículas ficam suspensas no ar. É aí que entra a física da luz: a poeira espalha a luz solar e faz com que os tons de comprimento de onda mais longo, como vermelho e laranja, predominem, enquanto o azul se dispersa.

Esse cenário é favorecido por uma característica importante do continente: a antiguidade dos seus solos. Diferentemente de regiões do Hemisfério Norte, a Austrália não passou por eras glaciais recentes que “renovassem” a superfície. Com isso, os óxidos de ferro se acumularam ao longo de milhões de anos, intensificando a cor avermelhada.

O resultado, quando esse material vai parar na atmosfera, é um céu que parece saído de outro planeta — mas que, na verdade, é um fenômeno natural bem explicado pela ciência.

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