Chanceleres de Brasil e EUA conversam sobre comércio e segurança

Publicado em 01/02/2026, às 17h24
Eles trataram ainda da viagem de Lula aos Estados Unidos, em março - Foto: Divulgação/Itamaraty
Eles trataram ainda da viagem de Lula aos Estados Unidos, em março - Foto: Divulgação/Itamaraty

Por Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, abordando comércio exterior e segurança, além de preparar a visita do presidente Lula a Washington em março.

A conversa ocorre em um contexto de tensões relacionadas ao Conselho da Paz, criado pelo presidente dos EUA, e a necessidade de Lula de manter a posição do Brasil na ONU, enquanto busca uma aproximação com Trump sobre comércio e segurança na região.

Lula e Trump discutiram também a Venezuela e a cooperação no combate ao crime organizado, enquanto o Brasil pressiona por avanços no congelamento de ativos de organizações criminosas e na troca de informações financeiras, em meio a preocupações com a taxação de produtos brasileiros pelos EUA.

Resumo gerado por IA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou neste sábado (31), por telefone, com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Segundo nota do Itamaraty, os dois falaram sobre comércio exterior e a cooperação na área de segurança.

Sem entrar em detalhes, o Itamaraty informou ainda que os dois chanceleres trataram de detalhes sobre a visita a Washington, em março, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciada na semana passada. A data ainda não foi divulgada.

O contato direto entre chanceleres ocorre também na esteira do desconforto causado pelo chamado Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido pelo presidente estadunidense para gerir o futuro da Faixa de Gaza e outros territórios.

Ao mesmo tempo em que busca uma aproximação com Trump, sobretudo no que diz respeito ao comércio bilateral e mundial, Lula tem sustentado a posição histórica do Brasil de defender a Organização das Nações Unidas (ONU) como principal órgão de política multilateral.

Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz.

A ligação entre chanceleres ocorre também pouco depois de Lula e Trump terem conversado por telefone, na última segunda-feira (26). Segundo o Palácio do Planalto, o presidente defendeu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, pauta histórica do Brasil.

Outro assunto debatido pelos mandatários foi a Venezuela. De acordo com o divulgado pelo Planalto, Lula expressou a Trump a necessidade de se manter a paz na região. Os dois também desejam avançar na cooperação no combate ao crime organizado transnacional.

O Brasil tem colocado na mesa a necessidade de avançar no congelamento de ativos das organizações criminosas e no intercâmbio maior de informações financeiras entre os países.

A segurança na região é um tema caro a Trump, sobretudo o combate ao narcotráfico. Desde que entrou no poder, o presidente norte-americano aumentou significativamente a presença militar na região, o que culminou com o sequestro, em 3 de janeiro, do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas dos EUA.

Tarifaço - Apesar de outros temas terem ganhado maior notoriedade nas últimas semanas, o principal pano de fundo do encontro entre Lula e Trump continua a ser a taxação de produtos brasileiros imposta pela Casa Branca.

Em agosto do ano passado, por ordem de Trump, o governo dos EUA impôs uma taxação de 50% sobre todos os produtos brasileiros, com exceção de cerca de 700 itens.

Após encontros entre Lula e Trump em eventos internacionais, o tarifaço sobre mais 238 produtos brasileiros foi derrubado, mas outros seguem com taxação extra em relação ao que pagavam antes. Desde então, continuam sendo taxados produtos como máquinas, móveis e calçados 

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