O chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, Majid Khademi, foi morto em um ataque aéreo atribuído a Israel, que também resultou na morte de pelo menos 25 pessoas em Teerã. Essa ação intensifica as tensões entre Irã e Israel, especialmente após a morte de outros líderes militares iranianos nos últimos dias.
Khademi, que assumiu o cargo em junho de 2025, é o mais recente de uma série de altos oficiais iranianos assassinados desde o início da guerra em fevereiro, incluindo o líder supremo Ali Khamenei. A situação se agrava com o ultimato do presidente dos EUA, Donald Trump, exigindo a liberação do Estreito de Hormuz.
Em resposta ao ultimato de Trump, Irã e Omã estão discutindo a reabertura segura do Estreito de Hormuz, enquanto a ONU condena as ameaças do presidente americano, alertando sobre a possibilidade de crimes de guerra. A organização pede ação imediata da comunidade internacional para evitar uma escalada de violência na região.
O chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, Majid Khademi, morreu nesse domingo (05), de acordo com as autoridades iranianas. Os detalhes da morte do general não foram divulgados, mas a Guarda confirmou que ele foi vítima de um ataque de Israel. A confirmação foi dada inicialmente no canal do Telegram da Guarda Revolucionária.
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A morte de Khademi foi registrada depois de ataques aéreos em Teerã. Ao menos 25 pessoas morreram durante os bombardeios. Israel assumiu responsabilidade pelo ataque e disse que matou outro membro do alto escalão militar iraniano.
Além de Khademi, Yazdan Mir, conhecido pelo nome de Sardar Bagheri, também morreu no ataque. Ele era chefe de uma unidade da Guarda Revolucionária no Paquistão.
Khademi tinha assumido o cargo em junho de 2025, quatro dias após a morte do seu antecessor. Ele ocupou o lugar de Mohammad Kazemi, morto em um ataque israelense em 15 de junho.
A morte do chefe de inteligência acontece menos de uma semana após líder da Marinha do Irã ser morto. Alireza Tangsiri, apontado como responsável pelo fechamento do Estreito de Hormuz, também foi vítima de um ataque israelense.
O chefe de inteligência da guarda é mais um entre os líderes iranianos assassinados desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro. Entre as mortes confirmadas pelo país desde o começo da guerra estão o líder supremo Ali Khamenei e o chefe do Conselho de Segurança do país, Ali Larijani.
Ultimato dos EUA
Os ataques de ontem e hoje acontecem pouco após o presidente dos EUA, Donald Trump, dar um ultimato para o Irã abrir Hormuz. O presidente norte-americano declarou que vai coordenar ataques contra a infraestrutura iraniana se a rota não for liberada até amanhã.
O porta-voz da presidência do Irã chamou Trump de "estúpido desgraçado". Seyyed Mehdi Tabatabaei disse que o norte-americano recorreu a obscenidades por desespero e raiva. "O estúpido desgraçado iniciou uma guerra em grande escala na região e ainda se vangloria disso", afirmou.
Ao mesmo tempo, Irã e Omã discutem reabertura "tranquila e segura" do Estreito de Hormuz. Após o ultimato de Trump, autoridades dos países se reuniram para avaliar opções de liberação da rota marítima. O ministro das Relações Exteriores de Omã afirmou que cada nação apresentou "perspectivas e propostas" para garantir o fluxo das embarcações.
A ONU também repudiou as ameaças de Trump contra o Irã. A organização afirmou que o presidente busca arrastar a região para uma guerra sem fim e que a postura é uma incitação direta ao terror contra civis.
A entidade classificou a fala como evidência de intenção de cometer "crimes de guerra". "Se a consciência das Nações Unidas estivesse viva, não permaneceria em silêncio diante da ameaça flagrante e descarada do belicista presidente dos Estados Unidos de atacar infraestruturas civis", escreveu a ONU no X.
A organização cobrou intervenção da comunidade internacional. O alerta destaca que todas as nações têm a obrigação legal de prevenir o mundo de crimes de guerra. "Devem agir agora. Amanhã será tarde demais", completou o comunicado.