China inaugura 'torre de energia' de baixo custo que funciona como bateria gigante

Publicado em 19/03/2026, às 15h05
Imagem China inaugura 'torre de energia' de baixo custo que funciona como bateria gigante

Por Um Só Planeta

Um novo sistema de armazenamento de energia em larga escala, desenvolvido pela Energy Vault, começou a operar na China, utilizando blocos sólidos para armazenar eletricidade na forma de energia potencial gravitacional, contribuindo para a estabilidade da rede elétrica local.

Com potência de 25 megawatts e capacidade de armazenamento de 100 megawatt-hora, o sistema pode fornecer energia contínua por até quatro horas, sendo uma solução estratégica para lidar com a intermitência das fontes renováveis.

Diferente das baterias de íons de lítio, o sistema utiliza materiais de baixo custo e possui um ciclo de vida superior a 30 anos, com eficiência energética acima de 80%, e faz parte da estratégia da China para expandir a capacidade de armazenamento energético e suportar o crescimento das energias renováveis.

Resumo gerado por IA

Um novo sistema de armazenamento de energia em larga escala começou a operar na China com uma proposta direta: transformar eletricidade em energia potencial por meio da elevação de blocos sólidos e recuperá-la quando necessário. Desenvolvida pela Energy Vault, a chamada “torre de gravidade” foi instalada em Rudong, na província de Jiangsu, e já está conectada à rede elétrica local.


O funcionamento segue um princípio físico conhecido. Em momentos de baixa demanda ou alta geração — sobretudo de fontes intermitentes como solar e eólica — motores elétricos acionam guindastes que erguem blocos de grande massa, fabricados com resíduos industriais. Esse movimento armazena energia na forma de energia potencial gravitacional. Quando o sistema é acionado para gerar eletricidade, os blocos descem de forma controlada, movimentando geradores e devolvendo energia à rede.

A unidade chinesa tem potência de 25 megawatts (MW) e capacidade de armazenamento de 100 megawatt-hora (MWh). Em termos práticos, isso significa que pode fornecer energia contínua por cerca de quatro horas em plena carga, um intervalo considerado estratégico para compensar oscilações típicas de fontes renováveis ao longo do dia.

Diferentemente das baterias de íons de lítio, amplamente utilizadas hoje, o sistema não depende de metais críticos como lítio, cobalto ou níquel. Os blocos utilizados são produzidos com materiais de baixo custo, incluindo rejeitos de mineração e resíduos de construção. A empresa afirma que o ciclo de vida do sistema ultrapassa 30 anos, com perda de desempenho significativamente menor do que a observada em soluções eletroquímicas.

Outro ponto relevante é a eficiência energética. Segundo dados operacionais divulgados pela empresa, o sistema atinge eficiência de ida e volta superior a 80%, patamar comparável ao de outras tecnologias de armazenamento de longa duração. A operação é automatizada por meio de softwares que coordenam o posicionamento dos blocos, controlam a velocidade de deslocamento e monitoram variáveis como vento e estabilidade estrutural.


A comparação mais próxima é com usinas hidrelétricas reversíveis, que também armazenam energia elevando um meio físico — no caso, água — para níveis mais altos. A diferença está na implantação: enquanto essas usinas dependem de condições geográficas específicas, o sistema por gravidade pode ser construído em áreas industriais ou próximas a centros de consumo, sem necessidade de recursos hídricos.


A instalação em Rudong faz parte da estratégia chinesa de ampliar a capacidade de armazenamento energético para sustentar a expansão das renováveis. À medida que a participação de fontes intermitentes cresce, soluções capazes de equilibrar oferta e demanda tornam-se essenciais para a estabilidade da rede.


Com esse projeto, a Energy Vault avança na aplicação comercial de uma tecnologia que vinha sendo testada em escala piloto. A expectativa é que sistemas semelhantes sejam implementados em outras regiões, especialmente onde o custo de baterias químicas ou limitações geográficas dificultam alternativas convencionais.

Gostou? Compartilhe