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Cientistas da USP acham substância que impede agravamento do Parkinson

Metrópoles | 19/04/22 - 22h37
A condição é caracterizada pela morte ou degeneração das células da substância negra do cérebro | Foto: Reprodução/Pixabay

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) descobriram uma substância capaz de impedir o agravamento da doença de Parkinson.

A condição é caracterizada pela morte ou degeneração das células da substância negra do cérebro, região onde é produzida a dopamina. Sem o neurotransmissor, o sistema motor é afetado: o que resulta nos tradicionais tremores associados à doença e em rigidez muscular, desequilíbrio, alterações na fala e na escrita. A doença também resulta em alterações gastrointestinais, respiratórias e psiquiátricas.

A pesquisa da USP foi publicada na revista científica Molecular Neurobiology. Os pesquisadores usaram uma substância chamada AG-490 em camundongos para inibir o TROM2 (um dos canais de entrada de cálcio nas células do cérebro). Em seguida para testar os efeitos do método, os roedores receberam injeções com uma substância que simula os efeitos da doença de Parkinson.

Segundo os cientistas, foi possível diminuir em 60% a morte das células cerebrais em animais que receberam aplicações de AG-490. “Os camundongos que não receberam a substância apresentaram um resultado 70% pior nos testes comportamentais”, explica o professor Luiz Roberto Britto, em comunicado à imprensa.

O aumento na atividade dos canais de entrada de cálcio é uma das possíveis explicações para a morte das células cerebrais em pacientes com Parkinson. A ciência ainda não sabe exatamente como a doença se desenvolve. “Em todas as células do organismo, quando esses canais estão muito ativos, a tendência é que ocorra uma sobrecarga de cálcio. Isso ativa uma série de enzimas que degradam as estruturas das células, levando à sua morte”, explica o professor. De acordo com Britto, a degeneração dos neurônios diminuiu bastante com o uso da AG-490.

A pesquisa ainda deve testar a substância em animais geneticamente modificados antes de avançar para testes clínicos com pessoas. Ainda assim, o grupo espera ajudar na criação de um medicamento que possa curar a doença.