Queda dos hormônios fragiliza a proteção natural da bexiga e favorece infecções
A atriz e participante do BBB 26 Solange Couto precisou de atendimento ao relatar desconforto intenso associado à cistite, chamando atenção para uma condição que muitas vezes é subestimada, mas interfere diretamente na qualidade de vida.
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A cistite é uma infecção que atinge a bexiga e provoca sintomas como dor, ardor ao urinar e vontade frequente de ir ao banheiro. O problema pode afetar mulheres em diferentes fases da vida, mas se torna mais comum após a menopausa, quando as alterações hormonais reduzem a proteção natural do trato urinário e deixam a região mais sensível à ação de bactérias.
“A cistite torna-se mais comum após a menopausa e pode impactar significativamente a qualidade de vida das mulheres. O principal motivo está na queda dos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha papel fundamental na proteção do trato urinário feminino”, explica a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).
Segundo a médica, com a menopausa, a redução do estrogênio provoca mudanças importantes na mucosa da uretra e da bexiga. “Esse hormônio ajuda a manter o tecido urinário mais espesso, elástico e bem irrigado. Com a menopausa, essa mucosa fica mais fina, ressecada e vulnerável à ação de bactérias, principalmente a Escherichia coli, principal causadora das infecções urinárias”, explica.
Além disso, a diminuição do estrogênio altera a flora vaginal, reduzindo a presença de lactobacilos, bactérias benéficas que ajudam a manter o pH ácido e funcionam como uma barreira natural contra microrganismos patogênicos. “Essa mudança cria um ambiente mais favorável à proliferação de bactérias que podem migrar da região íntima para o trato urinário”, completa.

Os sintomas da cistite após a menopausa são semelhantes aos observados em outras fases da vida, mas podem ser confundidos com sinais do próprio climatério. “Entre os mais comuns, estão ardor ou dor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência para ir ao banheiro, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e dor pélvica. Em alguns casos, a urina pode apresentar odor forte ou aspecto turvo. É importante que a mulher não normalize esses sintomas achando que fazem parte do envelhecimento. Dor ou ardor ao urinar não são normais e precisam ser investigados”, alerta a especialista.
O tratamento da cistite envolve o uso de antibióticos específicos, sempre com prescrição médica, mas, no caso das mulheres na pós-menopausa, pode exigir uma abordagem mais ampla. “Em quadros recorrentes, o uso de estrogênio vaginal pode ser um grande aliado, pois ajuda a restaurar a mucosa urinária e vaginal, reduzindo o risco de novas infecções”, afirma a Dra. Ana Paula Fabricio.
Outras estratégias podem incluir o uso de probióticos, ajustes no estilo de vida e acompanhamento regular para avaliar fatores associados, como incontinência urinária, prolapso genital ou esvaziamento inadequado da bexiga.
Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a incidência da doença. Manter boa hidratação, evitar segurar a urina por longos períodos, urinar após a relação sexual e manter a higiene íntima adequada são orientações básicas. “Também é fundamental evitar duchas vaginais e produtos irritantes, que desequilibram ainda mais a flora local”, orienta a médica.
A Dra. Ana Paula Fabricio reforça que a menopausa não deve ser encarada como sinônimo de perda de saúde. “Com acompanhamento médico adequado, é possível prevenir infecções urinárias recorrentes, aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida nessa fase”, conclui.
Por Maria Claudia Amoroso
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