Com uso de IA, China faz propaganda de guerra e retrata sua versão entre EUA x Irã

Publicado em 09/04/2026, às 17h00
EUA e Irã representados em vídeo de IA da China - Reprodução
EUA e Irã representados em vídeo de IA da China - Reprodução

Por g1

A China lançou uma propaganda de guerra em vídeo, utilizando inteligência artificial, que retrata o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, com o presidente Trump simbolizado como uma águia e os iranianos como gatos, destacando eventos como a morte de Ali Khamenei e o fechamento do Estreito de Ormuz.

Os EUA e o Irã têm utilizado inteligência artificial e referências da cultura pop para moldar a opinião pública, com os americanos criando montagens que gamificam o conflito e o Irã respondendo com animações que criticam a imagem dos EUA, incluindo paródias de filmes populares.

Ambos os lados têm recebido reações mistas a essas produções, que variam de elogios entre apoiadores a críticas por sua abordagem, enquanto a propaganda digital continua a evoluir como uma ferramenta de influência nas narrativas de guerra.

Resumo gerado por IA

A China divulgou uma propaganda de guerra feita com inteligência artificial mostrando sua versão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. O vídeo foi divulgado na TV estatal.

Nas imagens, que viralizaram nas redes sociais pelo mundo todo, o presidente norte-americano, Donald Trump, é retratado como uma águia, animal que é símbolo dos EUA.

Já os iranianos são representados por gatos, uma referência ao fato dos persas serem a etnia predominante no país.

O vídeo mostra Trump ordenando a morte do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei; a promessa de vingança de seu sucessor; o ataque à escola de meninas que matou várias pessoas no 1º dia de guerra; e o fechamento do Estreito de Ormuz, entre outros fatos.

Após mais de 5 minutos, ele se encerra mostrando os outros animais, que seriam os demais países do mundo, distantes do conflito em uma caminhada pelo deserto, já que o estreito estava fechado, buscando "novos aliados e novos caminhos".

EUA e Irã transformam referências pop em propaganda de guerra

Os governos dos EUA e do Irã também têm feito uso de inteligência artificial, cultura pop e símbolos emocionais como propaganda de guerra para influenciar a opinião pública.

No dia 4 de março, o governo norte-americano "gamificou" o conflito em uma montagem mostrando bombardeios no Irã. A montagem começa com imagens de um videogame na qual um soldado ativa um ataque aéreo em um tablet e em seguida aparecem vários clipes de bombardeios.

A cada novo alvo atingido, um sinal de "+100" aparece na tela, igual à pontuação atribuída a mortes no jogo de videogame chamado "Call of Duty". Ao longo do vídeo, é possível ouvir ao fundo uma música "hypada" tocando e frases retiradas do jogo de tiro, como "estamos vencendo esta guerra" e "tomamos o controle".

Outro recurso utilizado nas publicações americanas é o uso de personagens populares do cinema e da televisão para promover as operações militares.

Montagens divulgadas nas redes já incluíram figuras como o Homem de Ferro, Walter White da série "Breaking Bad" e até o personagem infantil Bob Esponja, que aparece perguntando: "Quer me ver fazer de novo?", antes de aparecer uma imagem do ataque.

Os vídeos costumam ser editados com músicas de bandas de rock e trilhas de ação, criando um clima de “trailer de blockbuster” para as imagens. As publicações recebem elogios de apoiadores do presidente Trump, mas também críticas.

O Irã também apostou em conteúdos digitais sofisticados para atacar a imagem dos Estados Unidos, em resposta à estratégia americana. Uma das campanhas usa inteligência artificial para parodiar o filme "Divertidamente".

O vídeo foca no bombardeio à escola em Minab, no sul do Irã, que deixou mais de 150 mortos, a maioria crianças. Nele, versões “malignas” das emoções aparecem dentro da mente do presidente Donald Trump, incentivando decisões agressivas e mentiras em coletivas de imprensa.

A animação também faz referência ao escândalo envolvendo o financista Jeffrey Epstein, numa tentativa de associar o líder americano a controvérsias e enfraquecer sua credibilidade.

Outra produção divulgada por canais ligados a Teerã utiliza animações inspiradas nos brinquedos da Lego.

No vídeo, personagens em formato de blocos representam líderes e militares dos dois lados. A narrativa costuma mostrar o Irã como vencedor em confrontos contra Estados Unidos e Israel.

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