Existe um risco concreto de que empresas que oferecem serviços de transporte privado, como é o caso de Uber, Cabify, 99 POP e EasyGo, tenham seus serviços inviabilizados no Brasil em questão de semanas devido ao tratamento dado ao setor pela Câmara dos Dep
Existe um risco concreto de que empresas que oferecem serviços de transporte privado, como é o caso de Uber, Cabify, 99 POP e EasyGo, tenham seus serviços inviabilizados no Brasil em questão de semanas devido ao tratamento dado ao setor pela Câmara dos Deputados.
LEIA TAMBÉM
Na última terça-feira, 4, os parlamentares aprovaram o Projeto de Lei 5587/16, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que praticamente transformava esses serviços em táxis. Só que o texto foi modificado antes da votação, tendo sido aplicado um substitutivo apresentado por Daniel Coelho (PSDB-PE) que dava aos municípios e ao Distrito Federal o poder de regulamentar o setor. Um respiro para as empresas.
Só que, passada essa etapa, os deputados aprovaram, por 226 votos a 182, um destaque que retira do projeto o trecho que definia o serviço como sendo privado. Na prática, isso transforma a "carona remunerada" em oferta pública, mais uma vez igualando o serviço aos táxis. Neste caso, cidades como São Paulo, que já contam com regulamentação específica, teriam de refazer o processo de legalização, já que tratam o serviço como sendo privado.
"Se a intenção é que as prefeituras regulem este serviço, nós não podemos concordar que se coloque no texto que é uma atividade de natureza privada", comentou Zarattini, que é líder do PT na Câmara. "Atividade de transporte individual de passageiro, para ser controlada pelas prefeituras, tem de ter caráter público."
Mas não é só isso. Outro destaque defendido pela bancada petista (este aprovado por 215 votos a 163) especifica uma série de exigências que não constavam no projeto aprovado. Os carros terão de respeitar uma idade máxima, contar com autorização específica do poder público em nome do motorista e possuir placa de aluguel — aquela vermelha, que é aplicada a táxis e carros de transporte de produtos.
“Até que o município regulamente, o sistema de aplicativos está inviabilizado. É transformar o sistema de aplicativo privado em táxi, que é tudo o que ninguém quer, porque cria tumulto”, protestou o tucano Daniel Coelho, que foi relator da matéria.
O projeto ainda não é lei, porque terá de passar pelo crivo do Senado. Se passar direto pela Casa, vai parar nas mãos do presidente Michel Temer (PMDB), que poderá vetá-lo ou sancioná-lo. O Senado terá um tempo para analisar o texto, porém. Lá, ele poderá inclusive sofrer modificações. Se isso acontecer, o projeto volta para a Câmara dos Deputados, onde os parlamentares podem discutir as alterações propostas e escolher entre aplicá-las (integral ou parcialmente) ou ignorá-las.
Depois desse trâmite, o texto finalmente cai no colo de Temer, que terá a palavra final. Se optar pela aprovação, o presidente fará com que os serviços prestados por empresas como Uber e Cabify seja inviabilizado em seu formato atual, e regulamentações municipais deixarão de valer, já que leis federais se sobrepõem às estaduais e municipais.
Então, será preciso que as cidades se organizem para discutir novas regulamentações, seja por iniciativa de vereadores ou das próprias prefeituras. Onde o lobby dos taxistas for forte, como ocorre nas grandes capitais, o processo deve gerar mais um período de desgaste e protestos, como já aconteceu em vários municípios do país que hoje contam com normas específicas para esses serviços. E pode levar meses (senão anos) até que Uber e Cabify voltem às ruas.
LEIA MAIS
+Lidas