O corpo da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta em seu apartamento, será exumado pela Polícia Civil de São Paulo para esclarecer as circunstâncias de sua morte, inicialmente registrada como suicídio e agora investigada como morte suspeita.
A morte de Gisele, que deixou uma filha de 7 anos, levanta questões sobre seu relacionamento conturbado com o tenente-coronel Geraldo Leite, que alegou ter encontrado a esposa após ouvir um disparo, enquanto vizinhos relataram gritos vindos do apartamento.
A Justiça autorizou a exumação após pedido da Polícia Civil, e a investigação segue sob sigilo, enquanto a defesa de Geraldo não foi localizada para comentar sobre o caso, que inclui alegações de abuso e controle por parte do marido.
O corpo da policial militar Gisele Alves Santana, 32, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde ela vivia com o marido, será exumado pela Polícia Civil de São Paulo.
Polícia Civil pediu a exumação para o "total esclarecimento dos fatos". A Justiça de São Paulo atendeu ao pedido, informou hoje a SSP (Secretaria de Segurança Pública), que informou que o pedido havia sido feito dias antes.
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A morte de Gisele foi registrada inicialmente como suicídio, mas passou a ser apurada como "morte suspeita" no dia 20 de fevereiro. O caso está tramitando sob sigilo, segundo o Tribunal de Justiça, por se tratar de um inquérito policial que apura suposto crime de feminicídio. Assim, outros detalhes não poderiam ser passados.
Advogado da família da PM ainda não foi informado sobre o procedimento. Ao UOL, Miguel Silva relatou que a decisão não estava nos autos e que aguarda um dos peritos entrar em contato a respeito.
O advogado já havia alertado anteriormente para versões conflitantes a respeito da morte dela. "Tem relato de vizinhos do dia da morte, dizendo que ouviram gritos, que eram constantes lá. O marido diz que foi tomar banho, que escutou o barulho do disparo. Mas ele não acionou as autoridades, quem ligou para a polícia foram os vizinhos", falou ao Brasil Urgente no mês passado.
Entenda o caso
Militares que atenderam a ocorrência no dia 18 de fevereiro afirmaram que, quando chegaram ao apartamento, manobras de reanimação eram realizadas na soldado. A mulher foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital. A morte dela foi constatada às 12h04.
Marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite, 53, disse ter entrado no banheiro do apartamento para tomar banho, quando ouviu um barulho. Ao sair do banheiro, ele afirmou ter encontrado a companheira caída na sala do imóvel, com a arma nas mãos e sangrando intensamente.
Em depoimento, Geraldo afirmou que ele e a mulher viviam em quartos separados e que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar.
O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma "exaltada", mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.
Após o caso, Geraldo afirmou ter sido levado ao Hospital das Clínicas, onde recebeu atendimento psicológico no estacionamento. Questionado, o homem disse que a companheira não fazia uso de medicamentos controlados, apenas de suplementos, e que o relacionamento deles não era aceito pelos pais da vítima porque eles apoiavam o relacionamento anterior dela.
Conforme o boletim de ocorrência, também foi solicitada perícia no local, bem como exame para identificar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e Geraldo. Uma pistola Glock .40 da Polícia Militar de São Paulo, três celulares, dois carregadores, dois cartuchos e uma bermuda de Geraldo foram apreendidos. A vítima deixa uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior.
A defesa do tenente-coronel não foi localizada para pedido de posicionamento. Geraldo foi procurado pelas redes sociais, porém não houve resposta.
MÃE DA VÍTIMA DIZ QUE RELACIONAMENTO DO CASAL ERA CONTURBARDO
Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Geraldo era "extremamente conturbado". Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.
Segundo a mulher, um dia a filha mencionou que gostaria de se separar e o tenente-coronel teria enviado uma imagem para ela. No registro, ele apontava uma arma para a própria cabeça.
A mãe disse que a filha ligou para ela chorando muito dias antes da morte, afirmando que não estava aguentando a pressão e queria se separar de Geraldo. A soldado ainda pediu que o pai a buscasse em casa. Ele tentou ir ao local, mas ela mudou de ideia e disse que ainda estava conversando sobre o término.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA
Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180; Central de Atendimento à Mulher; e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
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