Corpo ideal, mente em risco: veja os impactos da obsessão pela magreza na saúde mental

Psicóloga explica como a pressão estética e o desejo por resultados rápidos podem gerar ansiedade, frustração e baixa autoestima

Publicado em 26/01/2026, às 17h45
Busca constante por magreza pode levar à ansiedade, frustração, culpa e distorção da autoimagem (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)
Busca constante por magreza pode levar à ansiedade, frustração, culpa e distorção da autoimagem (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

A busca pelo corpo ideal nunca esteve tão presente no cotidiano quanto nos últimos anos. E em 2026, oito em cada dez brasileiros afirmam ter o desejo de melhorar a aparência, segundo levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva (empresa especializada em pesquisas de mercado) em parceria com a QuestionPro (plataforma de pesquisa online).

Entre redes sociais, padrões estéticos em constante mudança e a popularização de soluções rápidas para emagrecimento, como as canetas emagrecedoras, cresce a pressão para alcançar resultados imediatos. Nesse cenário, a saúde mental frequentemente fica em segundo plano, enquanto a aparência passa a ocupar um lugar central na construção da autoestima e da identidade.

O problema, segundo profissionais da área de psicologia, é que, quando o cuidado com o corpo deixa de estar associado ao bem-estar e passa a ser guiado por cobranças externas, comparação constante e metas inalcançáveis, surgem impactos emocionais significativos. Ansiedade, frustração, culpa e distorção da autoimagem são alguns dos efeitos observados em pessoas que vivem sob a exigência de se encaixar em um padrão estético idealizado, muitas vezes distante da realidade.

Pressão pelo corpo perfeito e os riscos para a saúde mental

De acordo com Andressa Alves Oliveira, profissional da área de psicologia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a saúde mental começa a ser afetada quando a validação pessoal passa a depender exclusivamente do corpo. “A busca constante pela magreza pode afetar a saúde mental a partir do momento em que a autoestima e a validação passam a depender de um corpo visto como ‘ideal’ ou ‘perfeito'”, tornando-se uma meta muitas vezes inalcançável. 

A psicóloga destaca que essa conjuntura afeta ainda mais as mulheres, “já que os padrões corporais impostos pela sociedade mudam com frequência. Atualmente, percebe-se que a magreza voltou a ser altamente valorizada e, diante disso, a saúde mental acaba se fragilizando”. E é exatamente nesse ponto que a busca por métodos que ultrapassam o limite físico e emocional aumenta.

“Quando esse padrão é difícil de ser alcançado de forma saudável, cresce a busca por métodos que ultrapassam os limites da saúde física e emocional. A saúde mental, que é tão importante quanto a saúde física, passa a ser deixada de lado”, afirma a profissional.

Ademais, ela ressalta que, “no momento em que a prioridade se torna apenas o corpo, esquecemos algo extremamente valioso: a mente. É ela que nos permite sentir bem-estar e aceitação, e não estar bem emocionalmente pode trazer agravantes, como a distorção da própria imagem corporal”.

Sinais de que a relação com o corpo deixou de ser saudável

Alguns comportamentos e emoções funcionam como alertas de que a relação com o corpo e com o peso pode estar adoecendo. Entre os principais sinais emocionais, a psicóloga destaca:

  • Choro frequente;
  • Comer e sentir culpa logo em seguida;
  • Adesão a dietas extremas ou “milagrosas” sem acompanhamento psicológico e nutricional;
  • Frustração constante com o próprio peso;
  • Ansiedade excessiva;
  • Episódios de compulsão alimentar.
Mulher usando roupa de treino e fone em pé mexendo no celular
As redes sociais reforçam padrões estéticos irreias e alimentam comparações que impactam o bem-estar emocional (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Redes sociais e a promessa de resultados rápidos

A exposição constante a conteúdos nas redes sociais também contribui para esse processo. Isso porque, segundo Andressa Alves Oliveira, o ambiente digital reforça padrões irreais e alimenta comparações que impactam diretamente o bem-estar emocional.

“As redes sociais têm se tornado, cada vez mais, um ambiente adoecedor. Vemos vidas perfeitas, corpos perfeitos e rotinas aparentemente impecáveis, mas será que isso é real? Muitas pessoas passam horas consumindo conteúdos que mostram corpos que, na maioria das vezes, não representam a realidade”, afirma a profissional.

Nesse contexto, e com a popularização das canetas emagrecedoras, a tendência é que as pessoas busquem cada vez mais por soluções rápidas, muitas vezes sem a reflexão necessária sobre os impactos emocionais e comportamentais desse processo.

“Esse comportamento pode se tornar um ciclo vicioso, gerando dependência de soluções externas. Sem os devidos cuidados e acompanhamento profissional, esse processo tende a causar adoecimento emocional e aumentar a vulnerabilidade psicológica”, ressalta Andressa Alves Oliveira.

Emagrecer sem cuidar da mente pode levar ao efeito sanfona

A psicóloga reforça que não é possível sustentar mudanças corporais sem olhar para a saúde mental e para a relação com a comida. “Sem saúde mental e acompanhamento psicológico, não há corpo que suporte as mudanças exigidas ao longo do processo de emagrecimento”. Ela destaca ser “essencial refletir sobre a relação que cada pessoa tem com a comida, pois é a partir disso que conseguimos compreender o que está por trás da frustração e do efeito sanfona”.

Andressa Alves Oliveira também chama atenção para evidências científicas que indicam o risco elevado de recuperação do peso após a interrupção do uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente quando não há mudanças consistentes de hábitos.

O estudo “Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis“, conduzido pela Universidade de Oxford e publicado no British Medical Journal (BMJ), mostrou que pessoas que suspendem o uso dessas medicações podem voltar a ganhar peso em um ritmo até quatro vezes mais acelerado em comparação a outros métodos de emagrecimento.

Hábitos saudáveis fortalecem o bem-estar emocional

Para a psicóloga, o caminho para uma relação mais equilibrada com o corpo começa pelo cuidado emocional. “Antes de tudo, [é preciso] fazer terapia. O corpo e a mente estão diretamente ligados e caminham juntos. Quando a mente está fragilizada, nada flui bem, e o processo de emagrecimento se torna mais difícil e a autocrítica aumenta”.

Além da terapia, Andressa Alves Oliveira destaca que hábitos saudáveis contribuem para o fortalecimento do bem-estar físico e emocional, como:

  • Prática regular de exercícios físicos;
  • Hábitos de sono saudáveis;
  • Alimentação equilibrada;
  • Autoconhecimento para reconhecer limites e necessidades;
  • Autocuidado como forma de fortalecer o amor-próprio.

Por Nayara Campos

Gostou? Compartilhe