A Polícia Civil de Goiás investiga a morte da corretora Daiane Alves dos Santos, cujo corpo foi encontrado após um mês de desaparecimento, com suspeita de que ela tenha sido assassinada no prédio onde morava em Caldas Novas.
A última imagem de Daiane foi registrada no elevador do edifício, e o síndico Cléber Rosa de Oliveira, preso sob suspeita de homicídio, teria confessado o crime, indicando o local onde deixou o corpo, a 15 quilômetros da cidade.
Além do síndico, seu filho Maykon Douglas de Oliveira foi preso por obstrução das investigações, e a polícia investiga se houve premeditação no crime, bem como a dinâmica da ocultação do cadáver e as desavenças entre a vítima e o síndico relacionadas à administração dos apartamentos.
A Polícia Civil de Goiás apura se a corretora Daiane Alves dos Santos, 43, que estava desaparecida há mais de um mês e cujo corpo foi encontrado nesta quarta (28), foi morta ainda no prédio em que morava em Caldas Novas.
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De acordo com os investigadores, a última imagem de Daiane, dentro do elevador, foi registrada às 19h do dia 17 de dezembro, quando ela se dirigiu ao subsolo.
Às 19h08, uma outra moradora também usa o elevador para ir ao mesmo andar, mas ela relatou aos policiais não ter vista nada de incomum.
A polícia diz acreditar que o síndico Cléber Rosa de Oliveira, preso suspeito pelo crime, matou a vítima nesse intervalo de tempo.
"Não podemos afirmar de maneira categórica pela ausência das imagens [do subsolo], mas pela análise do contexto tudo indica que ela foi morta dentro do prédio e retirada de lá", afirmou o delegado João Paulo Ferreira Mendes, da divisão estadual de homicídios.
Procurada, a defesa do síndico não retornou até a publicação da reportagem.
A vítima teria se dirigido ao subsolo para acessar o quadro de energia do edifício, após perceber que apenas o apartamento dela estava sem luz.
O procedimento de cortar a energia de determinados apartamentos era uma conduta frequente do síndico, segundo os delegados.
Ela desceu o elevador com o celular na mão e filmando a situação, o que pode ter gerado um atrito entre os dois.
"Ele [suspeito] relatou, de forma informal para a equipe [de policiais], que ela chegou com o celular na mão, filmando, eles tiveram um atrito e ali aconteceu tudo", disse Mendes.
Ao ser confrontado pelos policiais com as provas coletadas no processo, o suspeito teria confessado o crime e indicado onde ele teria deixado o corpo da vítima, em um local a 15 quilômetros de Caldas Novas, segundo os investigadores.
Ele, porém, não teria detalhado à polícia a dinâmica ou a motivação do crime. Cléber foi preso temporariamente, por 30 dias, suspeito de homicídio qualificado, com motivação torpe e ocultação de cadáver.
O filho do síndico, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso de forma preventiva sob suspeita de obstruir as investigações. Procurada, a defesa dele não respondeu.
A polícia apura se ele também teve participação na tentativa de ocultação do cadáver.
"Ficamos monitorando e percebemos que o filho comprou um telefone novo no dia 17 e que foi habilitado pelo pai. Os demais elementos serão respondidos durante a investigação", afirmou o delegado André Luiz Barbosa.
A suspeita é a de que o veículo dele foi utilizado para levar o corpo da vítima. Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro aparece no sentido do local do crime com a capota fechada e retorna, 48 minutos depois, com ela aberta.
Para a polícia, este é outro indício de que a vítima já estava morta quando foi levada para fora da cidade. Uma perícia chegou a ser feita no veículo, mas não foram encontrados vestígios da vítima, afirmaram os delegados.
A polícia diz afirmar que o síndico é a única pessoa a ter motivação e os meios para o assassinato da vítima.
"A Daiane, quando desaparece, deixa a porta [do apartamento] aberta, o que mostra a ausência de voluntariedade do desaparecimento. Mas quando os familiares chegam, encontram a porta fechada", disse o delegado Barbosa.
"Qual criminoso teria capacidade de matar a pessoa, levar a um local diverso e retornar ao local para fechar a porta? Somente uma pessoa que tivesse acesso livre ao prédio. São vários elementos que demonstraram a autoria", completou o policial.
A polícia apura se a motivação partiu da chegada de Daiane ao prédio, em novembro de 2024, para administrar os seis apartamentos que eram de propriedade da mãe da vítima.
Até a chegada dela, quem fazia a administração dos imóveis e cobrava a corretagem era o próprio síndico, de acordo com os delegados.
As desavenças entre os dois teriam se ampliado nos últimos meses, quando o síndico conseguiu aprovar em uma reunião do condomínio uma solicitação para que a vítima fosse proibida de acessar as áreas comuns do edifício, com o argumento de que os imóveis eram de sua mãe, não dela.
A vítima entrou na Justiça e conseguiu restabelecer seu direito de frequentar as dependências do prédio, além de receber uma indenização do condomínio. O processo teve trânsito em julgado em dezembro passado, segundo os delegados.
A polícia ainda busca esclarecer se o crime teria sido premeditado ou não, além de qual teria sido a participação do filho do síndico no caso.
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