Saúde

Covid-19: metade dos pacientes hospitalizados tem complicação, diz estudo

Metrópoles | 19/07/21 - 23h08
Reprodução / Secom JP

Um abrangente estudo publicado no último sábado (17/7) na revista científica The Lancet encontrou altas taxas de complicações em pacientes internados com Covid-19, mesmo entre indivíduos jovens e previamente saudáveis. Os autores da pesquisa observam ​que as complicações agudas estão associadas à capacidade reduzida de autocuidado dos pacientes quando recebem a alta hospitalar.

O estudo analisou mais de 70 mil adultos no Reino Unido hospitalizados em decorrência da Covid-19 grave. Deste total, metade desenvolveu uma ou mais complicações de saúde durante a hospitalização. A investigação se baseou nos casos registrados entre janeiro e agosto de 2020, antes que as vacinas estivessem amplamente disponíveis e sem as novas variantes do vírus.

Mesmo assim, os cientistas das universidades de Liverpool e de Edimburgo pontuam que os resultados permanecem relevantes para rebater indicações de que o coronavírus não apresenta risco para jovens saudáveis, muitos dos quais permanecem sem vacina em diversos países.

Do total de pacientes observados, 27% dos que tinham entre 19 e 29 anos e 37% dos que tinham entre 30 e 39 anos apresentaram alguma complicação da doença. Ao todo, 50% dos participantes do estudo apresentaram complicações, sendo que 44% sobreviveram ao vírus.

As complicações mais comuns entre os casos analisados incluíram doenças renais, respiratórias complexas e sistêmicas, além de relatos de complicações cardiovasculares, neurológicas, gastrointestinais e hepáticas. Homens e pessoas com mais de 60 anos foram os mais afetados, no entanto, as complicações decorrentes da Covid-19 eram comuns também entre jovens adultos.

O novo estudo considerou dados dos voluntários sobre idade, gênero, medidas de saúde quando o paciente foi hospitalizado e comorbidades prévias, como asma, câncer, Aids e doenças crônicas. Os pesquisadores observaram os dados relacionados a complicações respiratórias, neurológicas, renais, entre outras, desenvolvidas enquanto os pacientes estavam hospitalizados.

Além disso, eles investigaram a capacidade dos pacientes de se cuidar após serem liberados do hospital. Foi registrado que um em cada três voluntários do estudo (ou 32% do total) faleceu em decorrência do coronavírus.

A partir dos resultados, os cientistas alertam que esse quadro pode causar uma pressão significativa na saúde e na assistência social nos próximos anos, indicando que a pandemia seguirá causando problemas para a saúde pública.

Segundo os cientistas, isso deve ser levado em conta pelos gestores quando analisarem o afrouxamento das medidas de restrição para controle da disseminação do vírus. Eles também observam que essas complicações são diferentes dos sintomas da Covid persistente em pacientes infectados que não foram hospitalizados.

“Este trabalho contradiz as narrativas atuais de que a Covid-19 só é perigosa em pessoas com comorbidades pré-existentes e idosos. A gravidade da doença é um indicador de complicações mesmo em adultos mais jovens. A prevenção de complicações requer uma estratégia primária, ou seja, a vacinação”, destaca Calum Semple, pesquisador da Universidade de Liverpool e coautor do estudo, em anúncio da pesquisa.