Saúde

Covid: já me vacinei, posso voltar à vida normal?

Metrópoles / Saúde Em Dia | 14/09/21 - 22h14
Reprodução / Governo de São Paulo

A pandemia causada pelo coronavírus mudou totalmente o modo de viver de todas as pessoas do planeta, sem exceção. Hábitos e gestos simples, como ir ao mercado e abraçar um familiar querido, foram alterados com inúmeros protocolos de segurança. Tudo por causa da Covid-19, uma doença transmitida prioritariamente pelo ar e que já matou milhões de pessoas no mundo inteiro.

Indivíduos de todos os lugares se viram obrigados, de uma hora para outra, a ficarem confinados em quarentena. Longe de atividades do cotidiano, lazer e pessoas amadas. A ansiedade por uma solução para todos esses problemas sempre foi gigante, desde o início da pandemia, no final de 2019. E agora, em 2021, muitas pessoas enxergam nas vacinas a grande chave para voltar ao “velho normal”.

De fato, os imunizantes são a grande maneira de diminuir a transmissão do vírus e aliviar as medidas de segurança, tão agressivas para o convívio social. Porém, será que já chegou a hora de abandonar os cuidados e voltar para a vida que tínhamos antes? De acordo com especialistas, o momento do Brasil ainda exige cautela.

Manter os cuidados ainda é necessário

Segundo números do Consórcio de Veículos de Imprensa, com dados das secretarias estaduais de saúde, o Brasil já vacinou completamente cerca de 34% da população. Um número que ainda é baixo para aliviar protocolos de segurança. É o que explica a Dra. Maria Daniela Bergamasco, infectologista do Hcor (Hospital do Coração).

“Estamos em um momento de avanço da vacinação, porém, o vírus ainda segue circulando de forma importante em nosso país. E o número, ou seja, o percentual da população completamente vacinada, para reduzir essa circulação a níveis mais baixos, ainda é pequeno. Então demoraremos um pouco mais para chegar à situação epidemiológica, que alguns outros países, que já puderam liberar algumas dessas medidas, estão vivendo”.

Mesmo para quem já tomou todas as doses da vacina contra a Covid-19, a especialista indica a manutenção de alguns cuidados, como: uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos. “Vamos seguir em frente, mantendo a vacinação e mantendo também todas as medidas de proteção neste momento”, reforça a médica.

Vacinas diminuem número de casos graves

Ainda de acordo com dados do Consórcio de Veículos de Imprensa, o Brasil atingiu o pico de mortes por Covid-19 em meados de abril de 2021 e, desde então, o número começou a diminuir. A explicação para isso é, justamente, o avanço da vacinação no país. Porém, conforme analisou a Dra. Bergamasco, ainda é cedo para baixar a guarda.

Vale lembrar que as vacinas contra a Covid-19, assim como qualquer outro tipo de imunizante, não protegem 100% contra o vírus. Dessa maneira, o contágio pode ocorrer mesmo em pessoas vacinadas. “Quando a transmissão ainda está muito alta na comunidade, o que nós queremos com as vacinas é impedir que um caso fique grave e que nós morramos da Covid-19. Então é isso que as vacinas dessa primeira geração estão fazendo nesse momento”, explica Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

“Depois de duas semanas de vacinado, nós já sabemos que esse é um período em que nós já amadurecemos nosso sistema imune, já reconhecemos a vacina e estamos razoavelmente protegidos. É 100%? Estamos livres para jogar a máscara para o alto? Claro que não! Nós temos que continuar nos comportando como se nós não tivéssemos sido vacinados. Com cuidado em áreas de grande aglomeração, transporte coletivo e uso de máscara adequada”, conclui a pesquisadora.