CPI aprova quebras de sigilo de cunhado de Vorcaro e convocação de servidores afastados do BC

Publicado em 11/03/2026, às 12h19
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Por Constança Rezende/Folhapress

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado no Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (11), a convocação de servidores afastados do Banco Central e a quebra de sigilo de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


Deverão ser ouvidos o servidor Belline Santana, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor da autarquia.
Investigadores identificaram evidências de envolvimento de ambos no caso Master. Eles foram alvos de operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que eles usassem tornozeleira eletrônica.


Já as quebras dos sigilos bancário e fiscal de Zettel aprovadas correspondem ao período de janeiro de 2020 a dezembro de 2025. Também foram pedidos os sigilos telefônico e telemático do empresário. Ele é investigado por operar fundos ligados a supostas fraudes financeiras do grupo Master.


Também foi deliberado o envio de informações, por Mendonça, de provas já colhidas nas investigações correlatas ao Banco Master. Além do repasse de documentos da Polícia Federal sobre a morte na prisão de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, 43, suspeito de integrar a milícia de Vorcaro.


Ele foi um dos presos, no início deste mês, na nova fase da Operação Compliance Zero. Apelidado de Sicário, ele foi identificado pela PF como operador central de um grupo chamado "A Turma", responsável por coordenar atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesse do dono do Master.


Segundo informações da PF, Mourão tentou suicídio em uma cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Ele foi socorrido e morreu no hospital.


Também foram pedidos dados financeiros de João Roma, ministro da Cidadania do governo de Jair Bolsonaro (PL) e que informações sobre a Operação Compliance Zero, que investiga o caso Master, sejam prestadas pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.


As investigações apontam que Daniel Vorcaro, dono do Master, manteve interlocução direta e frequente com os dois servidores, discutindo temas relacionados à situação regulatória do banco e encaminhando documentos e minutas de normas do regulador. Eles teriam alertado o ex-banqueiro sobre o monitoramento que o BC fazia sobre a instituição.


O Banco Central disse ter identificado indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores durante investigação interna sobre o caso Master.

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