Crianças foram enterradas usando cintos de guerreiros há 2,5 mil anos; veja fotos

Publicado em 13/03/2026, às 22h52
Soprintendenza Archaeologia, Belle Arti e Paesaggio di Salerno e Avellino)
Soprintendenza Archaeologia, Belle Arti e Paesaggio di Salerno e Avellino)

Por Revista Galileu

Arqueólogos descobriram sepulturas de crianças com cinturões de bronze em Pontecagnano Faiano, na Campânia, um achado incomum que sugere uma conexão simbólica com o papel social esperado na idade adulta.

Das 34 sepulturas datadas entre os séculos 4 e 3 a.C., 15 pertenciam a crianças, e a presença de acessórios militares típicos de guerreiros adultos em túmulos infantis é considerada uma anomalia pelos especialistas.

As escavações, que ocorrem desde a década de 1960, continuam em função de obras públicas e privadas, e os resultados das pesquisas serão divulgados após a conclusão das análises em andamento.

Resumo gerado por IA

Arqueólogos descobriram no sul da Itália sepulturas de crianças enterradas com grandes cinturões de bronze — acessórios que, naquela sociedade, eram típicos de guerreiros adultos. O achado incomum aconteceu durante escavações em uma antiga necrópole localizada em Pontecagnano Faiano, na região da Campânia.


Essa descoberta se deu em um terreno que abrigava uma antiga fábrica de tabaco, onde arqueólogos investigam parte da chamada necrópole meridional do antigo assentamento. No local foram identificadas 34 sepulturas datadas entre os séculos 4 e 3 a.C., segundo comunicado da Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem de Salerno e Avellino, publicado na última terça-feira (10).

Quinze dessas sepulturas pertenciam a crianças entre dois e dez anos de idade. Entre elas, duas chamaram especialmente a atenção dos pesquisadores pela presença de cinturões de bronze. Dentre os samnitas, povo que ocupava a região antes da expansão romana, esses objetos faziam parte do equipamento militar masculino.


Nas sepulturas adultas, esses acessórios costumavam ser depositados ao lado de armas, como pontas de lança ou dardos. Por isso, a identificação da sua presença em pelo menos dois túmulos infantis é considerada incomum pelos especialistas.


Outros objetos encontrados nas covas seguem padrões funerários mais típicos, como armas em sepultamentos masculinos, adornos como anéis e fíbulas em sepulturas femininas e um pequeno número de recipientes cerâmicos associados a banquetes funerários ou ao armazenamento de unguentos. Veja imagens:

Organização familiar das sepulturas

A necrópole analisada ainda revela características conhecidas dos rituais funerários locais. As sepulturas eram organizadas em grupos familiares e, em sua maioria, consistiam em fossas abertas no solo cobertas por telhas inclinadas. Em poucos casos, foram usadas caixas funerárias de pedra, como travertino ou tufo.


Escavações em Pontecagnano Faiano ocorrem desde a década de 1960 e já revelaram milhares de túmulos pertencentes a diferentes fases de ocupação do assentamento, lembra o portal Live Science. A área foi habitada desde o século 9 a.C. e passou por influências culturais diversas ao longo dos séculos.

Implicações do achado

O motivo de crianças terem sido enterradas com cinturões de bronze ainda não está claro. Uma possibilidade considerada por especialistas é que o objeto represente simbolicamente o papel social que aqueles meninos poderiam ter desempenhado se tivessem alcançado a idade adulta.

Esse tipo de interpretação já foi sugerida em contextos arqueológicos de outras épocas. Em alguns sepultamentos anglo-saxões da Inglaterra, por exemplo, meninos também foram enterrados com itens ligados à guerra, possivelmente como referência à identidade que se esperava que assumissem no futuro.


As escavações na área continuam, já que os trabalhos fazem parte de investigações arqueológicas preventivas associadas a obras públicas e privadas na região. Segundo a superintendência responsável, os resultados completos das pesquisas serão divulgados após a conclusão das análises e das atividades de campo.

Gostou? Compartilhe